Desenvolvido pela Wishfully, Planet of Lana 2 chega alguns anos após os eventos do primeiro jogo, mantendo a mesma identidade visual e narrativa interpretativa que encantou os jogadores em 2023. Desta vez disponível também no PlayStation 5, a sequência traz Lana de volta a um mundo que, apesar de ter sido salvo, ainda carrega cicatrizes e novas ameaças.

História Inicial

A história começa com um ataque da tribo rival à aldeia de Lana, que deixa para trás uma pedra tóxica como rastro de destruição. A vítima dessa vez é Anua, uma criança da tribo que acaba infectada e adoece rapidamente.

Com o mundo ainda em perigo, agora de ameaças humanas, não apenas mecânicas, a tribo de Lana se mobiliza em direção a outra aldeia sob ataque. Só que, mesmo depois de tudo o que a Lana já fez no passado, existe um bloqueio, principalmente vindo da irmã mais velha, que age como se a Lana ainda fosse pequena demais pra se meter nisso.

Coube então à protagonista uma missão paralela e urgente: encontrar três itens espalhados pelo mundo que juntos poderão curar Anua. É essa busca que move a aventura.

A narrativa continua fiel à proposta original, sem diálogos reconhecíveis, com uma língua fictícia e comunicação puramente visual e o Mui retorna como companheiro, notavelmente mais poderoso graças ao desfecho do primeiro jogo. Porém, se o original conseguia arrancar emoções de forma quase inesperada, o Planet of Lana 2 mantém um tom mais contido. A história cumpre seu papel e tem seus momentos, mas não atinge o mesmo impacto emocional do primeiro.
Como é jogar Planet of Lana 2?
Mecanicamente, Planet of Lana 2 não tenta reinventar a roda. A base é a mesma: plataforma 2D, progressão linear com desvios, puzzles de observação e timing, e aquela dinâmica que depende do vínculo entre Lana e Mui. O jogo continua com aquela cadência que alterna contemplação e perigo, e a sensação imediata é de “eu sei jogar isso”. Só que, dessa vez, essa familiaridade trabalha a favor, porque o grande diferencial não está em novos comandos mirabolantes, e sim em como o jogo expande o papel do Mui.

A grande sacada do 2 é explorar bem mais o que o primeiro jogo apresentou quase como epílogo: o Mui controlando máquinas e formas de vida. No 1, isso aparece tarde demais pra virar um pilar real. Aqui, vira.
E isso abre uma caixa de brinquedos muito mais criativa para puzzles. Você não está só mandando o Mui apertar botão, puxar corda ou ativar alavanca. Você está usando o Mui como uma ponte entre Lana e o ecossistema, às vezes literalmente.

Tem puzzle que parece simples na ideia, mas é genial na execução. Em uma área de gelo, por exemplo, você precisa fazer o Mui controlar criaturas que deixam uma espécie de lã/trilha por onde passam, criando um caminho utilizável. E o jogo não para aí: essas criaturas ainda precisam ser sacrificadas no fogo pra queimar uma parede bloqueando o avanço. É um tipo de puzzle que mistura lógica, crueldade e “custo” e combina demais com o tom do mundo.
Em outros momentos, o foco vai mais para a tecnologia: controlar máquinas voadoras que conseguem segurar caixas e reposicioná-las, transformando o Mui num operador indireto do cenário. E como o jogo é bem bom em variar o contexto sem mudar a essência, ele troca o “puzzle de caixa” comum por uma solução que parece orgânica dentro do universo.
E aí vem um ponto que muda bastante o ritmo: água.

A Lana agora nada bastante, e o jogo faz o mergulho ter peso. Você ouve a respiração dela ficando forte lá embaixo, sente a urgência crescer, e mesmo sem HUD berrando na sua cara, dá pra entender: você precisa subir pra respirar, ou encontrar bolhas de ar no fundo pra estender a exploração. Isso abre espaço pra puzzles subaquáticos bem legais, especialmente quando o jogo mistura furtividade e fauna.
Um exemplo ótimo é quando o Mui controla peixes que soltam tinta no mar, criando uma cortina que impede peixes maiores de enxergarem a Lana. É furtividade do jeito Planet of Lana: sem combate, sem barulho exagerado, só o mundo reagindo ao que você faz.

Só que nem tudo é simples porque o Mui tem um limite bem físico: ele não gosta de água. Então o jogo cria esse “problema fixo” que você precisa resolver toda vez que o mergulho entra em cena. Às vezes é achar plataformas pra ele subir e atravessar sem se molhar. Em outras, tem uma solução bem esperta e fofa: uma planta que o Mui entra, ela se fecha, e você consegue mergulhar levando ele junto, como se fosse uma cápsula viva.
No fim, o gameplay do 2 passa a sensação de que ele não está tentando ser outra coisa… ele está tentando ser o Planet of Lana que o primeiro jogo não teve tempo de virar, usando o Mui como ferramenta de puzzle muito mais rica, e a água como um novo “território” de tensão e exploração.

Vale a pena jogar Planet of Lana 2?
Planet of Lana 2 é exatamente o que promete ser: uma continuação honesta, bonita e bem construída. Ele não tenta surpreender com reviravoltas de design, não tenta ser maior do que precisa ser. Ele pega o que o primeiro jogo estabeleceu e aprofunda onde havia espaço para crescer e esse espaço era o Mui.
A sequência funciona melhor como expansão de universo do que como salto evolutivo. Quem espera ser surpreendido da mesma forma que foi no primeiro pode sair com a sensação de que falta aquela faísca emocional inicial, aquele impacto de descobrir um mundo novo, uma dupla nova, uma linguagem nova. Aqui, o mundo já é familiar, e o jogo não consegue reproduzir a mesma magia do primeiro encontro.
Mas isso não significa que ele decepciona. Os puzzles são mais ricos, a criatividade com os poderes do Mui entrega momentos genuinamente inventivos, e o jogo mantém com competência aquela cadência única entre contemplação e perigo que define a série. É um título que respeita o jogador, respeita o universo que criou, e entrega uma aventura que vale cada minuto.
Se o primeiro jogo foi sobre descoberta, o segundo é sobre aprofundamento. E para quem já amou Lana e Mui, aprofundar é mais do que suficiente.

Agradecemos os amigos da Wishfully que nos enviaram uma cópia do jogo para PS5 para a criação deste review.













