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Resident Evil Requiem traz o terror e ação em equilíbrio

Resident Evil Requiem - Review de Jogos
Capcom acerta novamente ao equilibrar terror, ação e nostalgia em um dos capítulos mais completos da série.
Disponível para:
Playstation 5, Xbox Series S/X, Nintendo Switch 2, PC
Review escrito por:
Danilo Manzato

Resident Evil Requiem, também conhecido como Resident Evil 9, chega como mais um capítulo de peso para uma das franquias mais icônicas da Capcom. Em um momento em que a série se aproxima de seus 30 anos de história, o novo jogo mostra que a produtora japonesa continua sabendo exatamente como trabalhar com uma de suas propriedades mais famosa.

Nos últimos anos, a franquia Resident Evil vive uma fase extremamente positiva, alternando entre títulos inéditos e remakes que redefiniram clássicos da série. Exemplos como Resident Evil 2 (Remake) e Resident Evil 4 (Remake) mostraram que é possível revisitar o passado sem perder relevância no presente.

Com Requiem, a Capcom não apenas mantém esse alto nível, ela entrega um jogo que pode facilmente figurar entre os melhores da franquia.

Dois protagonistas, duas experiências

Um dos grandes acertos do jogo está na forma como ele estrutura sua narrativa. A história apresenta dois protagonistas: a novata Grace Ashcroft, uma investigadora do FBI, e o veterano Leon S. Kennedy, um dos personagens mais queridos da franquia.

Grace se envolve em uma investigação sobre mortes misteriosas envolvendo sobreviventes dos incidentes ocorridos há quase 30 anos em Raccoon City. Leon, por sua vez, está tentando encontrar uma forma de lidar com uma doença que afeta justamente essas pessoas que sobreviveram à tragédia da cidade.

Os dois personagens não se conhecem inicialmente, mas seus caminhos acabam se cruzando ao longo da trama.

Diferente de Resident Evil 2, que permitia escolher qual protagonista jogar primeiro, aqui o jogo assume o controle do ritmo da narrativa. A campanha alterna automaticamente entre Grace e Leon, conduzindo o jogador pelos diferentes lados da história.

No início essa alternância pode parecer rápida demais, mas conforme o jogo avança tudo encontra um excelente equilíbrio, entregando tempo de tela bastante satisfatório para ambos.

Terror contra ação: dois estilos de gameplay

O contraste entre os protagonistas é uma das melhores ideias de Resident Evil Requiem.

Grace representa o lado mais puro do survival horror. Acostumada ao trabalho investigativo de escritório, ela se vê subitamente mergulhada em um cenário de horror absoluto, cercada por criaturas que tentam matá-la a todo momento.

Sua campanha traz um inventário limitado fazendo a todo momemento o uso do clássico baú da série para guardar itens. Além disso ela conta poucas armas e munições disponíveis trazendo um forte foco em sobrevivência e exploração.

Durante sua jornada, Grace também encontra itens que expandem o espaço do inventário e um curioso equipamento capaz de drenar o sangue de inimigos mortos. Esse sangue pode ser convertido em munições, itens de cura e até mesmo melhorias para a personagem trazendo aumento de HP e poder de ataque.

Já Leon representa o oposto completo dessa experiência. Após décadas enfrentando armas biológicas, ele é praticamente um tanque de guerra. Seu inventário é maior, mas não conta com baús. Todo o gerenciamento precisa ser feito dentro do próprio inventário ativo, algo que lembra bastante o sistema da maleta de Resident Evil 4.

Em vez de armazenar itens, Leon utiliza pontos obtidos ao derrotar inimigos para comprar armas, vender equipamentos e realizar upgrades melhorando a qualidade de suas armas.

Esse contraste funciona de forma brilhante. Após momentos extremamente tensos com Grace, assumir o controle de Leon traz uma grande sensação um alívio para o jogador já que na mão do personagem clássico o jogo acaba ficando mais leve devido a ação desenfreada.

Primeira ou terceira pessoa: duas formas de jogar

Outro grande diferencial de Requiem é a possibilidade de alternar entre câmera em primeira ou terceira pessoa.

A própria Capcom sugere uma forma interessante de experimentar o jogo:

  • Grace em primeira pessoa
  • Leon em terceira pessoa

Após mais de 30 horas de jogo e praticamente todos os troféus conquistados, posso dizer que essa proposta realmente funciona muito bem.

A visão em primeira pessoa intensifica o terror nas partes com Grace, lembrando bastante o clima de Resident Evil 7: Biohazard. Já o estilo em terceira pessoa combina perfeitamente com a ação frenética das seções com Leon.

Essa escolha faz o jogo parecer quase duas experiências diferentes dentro do mesmo título.

Modos de jogo e rejogabilidade

O jogo começa com três modos de dificuldade:

Casual

  • inimigos causam menos dano
  • regeneração de vida

Normal Moderno

  • saves infinitos

Normal Clássico

  • saves limitados por itens

Ao terminar a campanha, o jogador desbloqueia o modo Insano, que altera posicionamento de inimigos e localização de itens, oferecendo uma experiência nova.

Além disso, o jogo conta com desafios que concedem pontos. Esses pontos podem ser trocados por:

  • roupas alternativas
  • artes na galeria
  • munição infinita
  • novas armas
  • modificadores de gameplay

Isso aumenta bastante a rejogabilidade.

Ambientação absurda e excelente otimização

Um dos aspectos mais impressionantes do jogo é sua ambientação.

Mesmo em meio ao caos e à destruição, tudo em Resident Evil Requiem é visualmente deslumbrante. Seja em corredores claustrofóbicos, em áreas urbanas cheias de detalhes ou em cidades devastadas, o jogador constantemente se pega virando a câmera apenas para admirar o cenário.

Grande parte desse mérito vem da RE Engine, que continua entregando bons resultados. Além disso a Capcom também aposta no simples, sem trazer interações pelo cenário onde tudo é previsivel, objetos que se quebram tem destaque e se o jogador atirar em um vidro, luz ou algo que não esteja pré disposto a interação, nada irá acontecer.

Vale destacar também a excelente otimização no PC. Mesmo rodando em um hardware relativamente modesto, equipado com uma RTX 2060 Super, o jogo apresentou desempenho extremamente sólido.

Mais um acerto técnico da Capcom para a franquia.

Trilha sonora e sound design de alto nível

A trilha sonora é outro elemento que merece destaque.

Ela alterna entre momentos de tensão intensa, nostalgia e silêncio absoluto. Em várias situações, a ausência de música é usada de forma genial, aumentando a sensação de perigo iminente.

O sound design também impressiona trazendo sons de passos ecoando pelos cenários, disparos distintos para cada armas, os grunidos das criaturas e os sons grotescos causados pelos ferimentos dos inimigos

Tudo contribui para uma atmosfera extremamente imersiva.

Falta de puzzles mais elaborados

Se há uma crítica mais clara ao jogo, ela está justamente na ausência de puzzles mais complexos.

A franquia Resident Evil sempre combinou combate com quebra-cabeças inteligentes. Em Requiem, no entanto, grande parte da progressão acaba se resumindo mais à exploração e ao combate.

Mesmo no modo normal, o nível de desafio também é relativamente baixo. As mortes durante a campanha são raras, principalmente após o jogador se acostumar com as mecânicas.

Um marco para a franquia

No fim das contas, Resident Evil Requiem pode ser considerado um verdadeiro marco para a série.

O jogo equilibra perfeitamente os elementos que definiram a franquia ao longo de décadas: terror, tensão, ação e nostalgia.

A possibilidade de jogar em primeira ou terceira pessoa, aliada às duas campanhas distintas, faz com que o jogo pareça quase múltiplas experiências em uma só.

Minha única crítica mais forte está relacionada ao marketing. O primeiro trailer já mostrava Raccoon City, algo que poderia ter sido guardado como uma surpresa para o jogador dentro do próprio jogo — e que certamente teria causado um impacto ainda maior.

Mesmo assim, o jogo entende perfeitamente o que representa para os fãs. Ele conversa diretamente com quem acompanhou a série desde Resident Evil 2 ou entrou no universo da franquia com Resident Evil 4.

O resultado é uma experiência cheia de momentos épicos, nostalgia e aquela sensação clássica que só Resident Evil consegue entregar.

Resident Evil Requiem é facilmente um dos capítulos mais completos da franquia. Um jogo que respeita o passado da série, abraça seus fãs e prova que o survival horror da Capcom continua mais vivo do que nunca.

Agradecemos os amigos da Capcom Brasil que nos enviaram uma copia de Steam de Resident Evil Requiem para a criação deste review.

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Confira reviews de outros jogos da série

O jogo conta com dois finais onde devemos liberar ou destruir um item importante. Isso levará o jogador a dois finais em um único momento de escolha no jogo.
Embora Resident Evil Requiem conte com 2 finais é nítida a escolha da qual a Capcom realmente se importa e dará continuidade nos próximos jogos da série.

Resident Evil Requiem traz o terror e ação em equilíbrio

Disponível para:
Playstation 5, Xbox Series S/X, Nintendo Switch 2, PC
Versão que jogamos:
PC
O jogo é dublado e legendado em Português.

Pontos Positivos

  • Excelente equilíbrio entre terror e ação
  • Dois protagonistas com gameplay bem distinto
  • Ótima otimização no PC
  • Trilha sonora e sound design imersivos

Pontos Negativos

  • Poucos puzzles mais elaborados
  • Revelações importantes mostradas cedo demais nos trailers
Review escrito por:
Danilo Manzato

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