A série Bomberman existe há mais de três décadas e atravessou praticamente todas as gerações de consoles. Ainda assim, curiosamente, é uma franquia que parece permanecer dentro de um círculo muito específico de fãs.
Dificilmente vemos o mesmo nível de entusiasmo que outros personagens clássicos despertam quando recebem novos jogos. Talvez por isso revisitar o passado, em vez de tentar reinventar a roda, tenha sido uma decisão tão acertada.

É justamente essa proposta que Super Bomberman Collection abraça: reunir títulos da chamada “era de ouro” da franquia e permitir que jogadores revisitem ou conheçam pela primeira vez um dos pilares do design clássico dos videogames.
Um passeio pela era de ouro de Bomberman
A coletânea reúne sete jogos clássicos da franquia.
Entre eles estão cinco títulos lançados originalmente no Super Nintendo, além dos dois primeiros jogos da série que surgiram no Nintendinho.

Como reviewer e assumidamente nostálgico, preciso confessar que tenho um carinho enorme pelo primeiro Super Bomberman. Passei muitas tardes jogando com meu irmão e amigos, e revisitar esse jogo foi quase como abrir um baú de memórias.
Os outros títulos da coletânea eu conhecia apenas superficialmente, enquanto os dois primeiros jogos do NES eram completamente desconhecidos para mim. E é justamente aí que a coletânea brilha: ela funciona não apenas como um resgate nostálgico, mas também como uma oportunidade de entender melhor a evolução da franquia.
Caos, estratégia e bombas por todos os lados
Para quem nunca teve contato com a série, a estrutura de Bomberman é simples de entender, mas surpreendentemente estratégica.
Cada fase funciona como um pequeno tabuleiro. O jogador deve posicionar bombas para destruir blocos do cenário, abrir caminhos e derrotar todos os inimigos presentes na tela.
Entre esses blocos destrutíveis também estão escondidos power-ups importantes, como:
- aumento do raio de explosão
- bombas adicionais
- bombas com controle remoto
- aumento de velocidade do personagem
Esses upgrades são fundamentais para avançar de maneira mais fácil nas fases, mas existe um detalhe importante: eles podem ser facilmente perdidos ao morrer.

E morrer não é algo raro. Basta um pequeno erro de cálculo para acabar preso na própria explosão, transformando sua estratégia em uma armadilha mortal.
Além disso, cada fase possui tempo limite, criando uma constante sensação de urgência. Para avançar, é preciso eliminar todos os inimigos e encontrar o portal escondido atrás de um dos blocos destruíveis.
Existe ainda um detalhe curioso: se o jogador encontrar o portal antes de eliminar todos os inimigos e explodir bombas perto dele, novos inimigos surgirão na fase, punindo qualquer tentativa de pressa.
Como novidade a coletânea ainda apresenta o modo de Boss Rush onde você poderá enfrentar em sequência apenas os chefes de cada jogo selecionando níveis de dificuldade.
Evolução clara entre os jogos
Embora a base da jogabilidade permaneça praticamente a mesma em todos os títulos, é interessante observar como cada novo jogo da coletânea tentava trazer algo diferente em sua época.

Fases maiores, novos inimigos e pequenas variações de design mostram que, mesmo dentro de uma fórmula simples, os desenvolvedores buscavam constantemente inovar.
Esse espírito de evolução já era perceptível quando comparamos os primeiros títulos da série, como Bomberman e Bomberman II.
Um toque moderno: rebobinar o erro
Uma das adições mais interessantes da coletânea é a presença de um botão de rebobinar.
Ao pressioná-lo, o jogo volta alguns segundos no tempo, permitindo corrigir um erro recente. Em uma série onde morrer por causa de um pequeno erro é extremamente comum, esse recurso ajuda a reduzir a frustração.
Na prática, ele funciona quase como uma rede de segurança para quem quer apenas sentar no sofá e se divertir, revivendo a nostalgia sem tanta punição.
Extras para fãs da franquia
Como toda boa coletânea retrô, o pacote também inclui alguns conteúdos extras. Entre eles estão galeria de imagens e galeria com músicas, trilhas sonoras essas que são uma verdade explosão de nostalgia em nossos ouvidos.

Além disso, como os jogos foram originalmente desenvolvidos para telas 4:3, a coletânea utiliza planos de fundo decorativos nas laterais para preencher o espaço nas telas widescreen modernas.
É uma solução simples, mas que ajuda a manter a apresentação agradável sem alterar a proporção original dos jogos.
Além disso é possível optar por ver a caixas originais do jogo no padrão americano, japonês e europeu, podendo também selecionar a sua versão favorita para ficar em exibição.
Uma coletânea perfeita, mas para quem já ama Bomberman
No geral, Super Bomberman Collection funciona muito bem como um resgate histórico da franquia.
É uma coletânea excelente para quem já tem carinho pela série e também para quem deseja apresentar esses jogos para filhos, sobrinhos ou amigos que nunca tiveram contato com a franquia.

Por outro lado, talvez não seja um título com grande apelo para jogadores completamente novos. Os jogos são relativamente curtos, cada um levando cerca de duas horas para ser finalizado e jogar todos em sequência pode se tornar um pouco repetitivo.
Mas experimentá-los aos poucos revela algo que muitos jogos modernos parecem ter esquecido: às vezes, uma ideia simples bem executada é tudo o que um jogo precisa para ser divertido.
Em uma época em que muitos títulos tentam parecer cada vez mais gigantescos para justificar seu valor, revisitar Bomberman é um lembrete de que design inteligente pode ser muito mais poderoso do que qualquer megalomania tecnológica.
Agradecemos os amigos da Konami que nos enviaram uma cópia de Super Bomberma Collection para este review.
O game está disponível para PlayStation, Nintendo Switch, PCs e Xbox Series.













