Não é de hoje que a indústria dos games aposta no saudosismo como caminho seguro para conquistar o público. Pixel art, trilhas chiptune e mecânicas clássicas se tornaram quase uma linguagem própria. No entanto, Terminator 2D: No Fate vai além da simples nostalgia: ele entrega uma experiência genuinamente arcade, respeitando tanto os jogos quanto o cinema que o inspirou.

Baseado diretamente em O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final, clássico absoluto do cinema de ação dos anos 90, o jogo não apenas referencia o filme, como o utiliza como espinha dorsal de sua narrativa, estética e estrutura. E o resultado é um dos títulos mais divertidos já baseados no universo Terminator.
Fidelidade ao filme e liberdade criativa
A história segue o arco central que todo fã conhece: dois ciborgues são enviados do futuro, o T-1000, com a missão de eliminar o jovem John Connor, e o T-800, reprogramado para protegê-lo. A partir daí, o jogo recria momentos icônicos do longa, mas também se permite explorar situações inéditas que não foram vistas nas telas.

Durante a campanha, passamos por eventos como Sarah Connor invadindo a Cyberdyne, John Connor no futuro enfrentando hordas de máquinas e Confrontos decisivos que remetem diretamente às cenas mais marcantes do filme.
Essa mistura entre fidelidade e liberdade funciona muito bem. Inclusive, fica aqui a recomendação: se você ainda não assistiu a O Exterminador do Futuro 2, corrija esse erro imediatamente. O filme segue sendo um dos maiores ícones do gênero.
Terminator 2D: No Fate traz uma estrutura arcade raiz
Em termos de design, Terminator 2D: No Fate é um verdadeiro tributo aos arcades e consoles dos anos 90. A estrutura é simples e eficiente:
- Fases lineares;
- Chefes ao final de cada estágio;
- Progressão direta até a conclusão do jogo.
Ao todo, são pouco mais de 10 fases, a maioria curta, fazendo com que seja possível finalizar o jogo em cerca de 1 hora, dependendo da dificuldade escolhida.

E aqui entra um dos pontos mais interessantes do título: os níveis de dificuldade realmente mudam a experiência.
- Nos modos mais fáceis, há continues infinitos e ausência de limite de tempo.
- No nível médio em diante, os continues passam a ser limitados e as fases ganham timer.
- Já nas dificuldades mais altas, além do aumento de inimigos e desafios, errar significa recomeçar, exatamente como nos jogos antigos.
Chegou ao fim dos continues? É game over e tudo de volta do começo. Sem concessões.
Gameplay simples, fluida e eficiente
A jogabilidade segue o clássico run and gun: correr, atirar e destruir tudo que se move. Pode parecer básico, e de fato é, mas funciona perfeitamente dentro da proposta.
O jogo também acerta ao variar os personagens jogáveis ao longo da campanha. Cada um possui características próprias, assim jogar uma fase com a Sarah Connor é uma experiência diferente de se jogar uma fase na sequência controlando o T-800.

Essa alternância é essencial para manter o ritmo, principalmente considerando a curta duração da campanha.
Modos extras e múltiplos finais
Mesmo sendo um jogo curto, há conteúdo adicional para quem deseja ir além da primeira zerada. Conforme o jogador conclui o game em dificuldades mais altas, modos extras são desbloqueados, trazendo novos desafios.
Além disso, há dois momentos de escolha durante a campanha, que influenciam diretamente o número de fases no final do jogo. No total, são três finais diferentes, ampliando as possibilidades dentro do universo de Terminator e incentivando o replay, ainda que de forma limitada.
Visual e trilha sonora: uma carta de amor ao passado
A estética em pixel art é extremamente fiel à era que o jogo homenageia. Os cenários, personagens e inimigos remetem diretamente tanto aos arcades quanto ao visual do filme, deixando claro o cuidado da equipe em respeitar a obra original em que se baseia.

A trilha sonora acompanha essa proposta com competência. As músicas reforçam a imersão e despertam aquela sensação nostálgica de quando alugávamos jogos e passávamos o fim de semana inteiro jogando no console de casa.
Terminator 2D: No Fate vale a pena?
Um título que sem dúvidas é uma boa surpresa aos nostálgicos de uma era. Ele não tenta reinventar a roda, nem precisa. Sua maior força está em entregar exatamente o que promete: uma experiência arcade honesta, divertida e respeitosa com seu legado.

A única ressalva realmente relevante é a duração curta, especialmente para quem não tem interesse em rejogar os modos extras ou enfrentar dificuldades mais altas. Ainda assim, o tempo de jogo conversa bem com a proposta clássica que ele se propõe a resgatar.
Terminator 2D: No Fate prova que, quando a nostalgia é tratada com respeito e competência, ela ainda pode render grandes jogos.













