Depois de quase uma década de desenvolvimento e diversos obstáculos no caminho, Replaced finalmente chegou. O projeto passou por adiamentos, mudanças e até impactos causados pela guerra entre Rússia e Ucrânia, obrigando o estúdio a se reorganizar em outros países até concluir a produção.
Só por existir, Replaced já representa uma vitória. Mas a boa notícia é que ele também entrega qualidades suficientes para justificar toda a expectativa criada ao redor de seu nome.

Misturando estética retrô, ambientação cyberpunk e gameplay inspirado em clássicos do passado, o título aposta em personalidade própria para se destacar no mercado indie.
Uma distopia interessante e cheia de potencial
A história se passa em uma linha do tempo alternativa no ano de 1984, após explosões nucleares tornarem boa parte do planeta inabitável. Como resposta, o governo americano criou Phoenix, uma cidade altamente tecnológica onde apenas a elite poderia viver.

O resultado, claro, foi uma sociedade segregada e controlada.
Controlamos Warren e Reach, duas consciências presas no mesmo corpo. Reach é uma inteligência artificial criada por Warren, mas após um misterioso incidente assume o controle físico do personagem e passa a ser caçado.
Ao fugir de Phoenix, descobrimos o mundo fora dos muros: um local hostil, abandonado e repleto de pessoas descartadas pelo sistema.

É uma premissa excelente, cheia de críticas sociais, discussões sobre identidade, desigualdade e tecnologia. O problema é que boa parte dessa narrativa depende de documentos espalhados pelos cenários, o que pode quebrar o fluxo da aventura.
Com vozes, diálogos mais ativos ou recursos sonoros melhores, esse universo poderia ser ainda mais marcante.
Gameplay com alma de clássico
Desde os primeiros minutos fica clara a paixão do estúdio por jogos antigos. É fácil notar influências de clássicos como Prince of Persia e Out of This World.
A movimentação lateral, os pulos calculados e os pequenos puzzles de progressão remetem diretamente a essa era dos videogames.

Porém, Replaced opta por acessibilidade. Os desafios são simples, intuitivos e dificilmente deixam o jogador preso por muito tempo. Isso mantém a aventura fluida, ainda que também reduza parte do senso de conquista.
O combate é o grande destaque
Se existe um ponto onde Replaced realmente diverte, é no combate.
As batalhas acontecem em momentos planejados. Em vez de inimigos jogados aleatoriamente pelos mapas, os confrontos surgem quando a narrativa pede mais intensidade.

O sistema das lutas lembra bastante a série Batman Arkham trazendo ataques inimigos sinalizados. Os simbolos em vermelho exigem esquiva já os sinais amarelos pedem contra-ataque imediato.
Conforme vamos acertando golpes nos adversários vamos energizando nossa arma que poderá efetuar um disparo que na grande parte dos combates acaba por matar qualquer inimigo com apenas um acerto. Após este disparo a arma se esvazia e vamos recarrega-la varias vezes naturalmente durante o combate.
Também existem adversários com escudos e inimigos mais resistentes, exigindo mudanças de abordagem.
Mesmo repetitivo ao longo das cerca de 10 horas de campanha, o combate continua divertido porque aparece em intervalos equilibrados entre exploração e narrativa.

Visual impressionante e identidade forte
Visualmente, Replaced é facilmente um dos indies mais bonitos dos últimos tempos.
Embora pareça um jogo 100% em pixel art 2D, ele foi construído em 3D. Isso permite movimentos sutis de câmera, zooms cinematográficos e mudanças de perspectiva que revelam profundidade real nos cenários.

Algumas áreas ainda permitem alternar entre planos próximos e distantes, usando a profundidade como parte da exploração.
Essa combinação entre nostalgia e tecnologia moderna funciona muito bem e dá ao game uma identidade própria.
O ritmo lento cobra seu preço
Infelizmente, Replaced sofre com um problema constante: ritmo.
Do início ao fim, a experiência muda pouco. O loop principal gira em torno de andar, pular e lutar, sem grandes surpresas no caminho.

Mesmo em momentos que deveriam transmitir urgência ou furtividade, a sensação prática quase não se altera. Caminhar normalmente ou avançar escondido muitas vezes parece a mesma coisa.
Isso torna a campanha cansativa em sessões longas. Replaced funciona melhor sendo jogado aos poucos, em pequenas doses.
Trilha sonora abaixo do potencial
Outro aspecto decepcionante é a trilha sonora.
Em um universo cyberpunk, espera-se algo marcante, pulsante e atmosférico. No entanto, poucas músicas se destacam e nenhuma permanece na memória após os créditos.
Curiosamente, alguns colecionáveis do jogo são justamente faixas musicais, acessadas por um menu em formato de portátil estilo Game Boy.

Uma trilha melhor poderia ajudar diretamente no principal problema do jogo: ritmo e variação emocional.
Vale a pena jogar Replaced?
Sim, especialmente para quem gosta de jogos autorais, visual estilizado e aventuras cinematográficas.

Replaced é um bom jogo, com excelente combate, arte impressionante e um universo interessante. Porém, também é uma experiência limitada por orçamento modesto, narrativa pouco dinâmica e ritmo excessivamente lento.
Ele não alcança todo o potencial que sugere, mas ainda entrega uma jornada digna de atenção.
Agradecemos os amigos da Thunderfull que nos enviaram gentilmente uma cópia de Replaced na Steam para a criação deste review.
Replaced está disponível para Xbox Series e PCs.













