Antes de falar especificamente da versão para Nintendo Switch 2, vale um aviso: se você quer saber tudo sobre Tales of Arise, incluindo história, combate, personagens e nossa análise completa do jogo, recomendamos conferir primeiro a review publicada aqui no site. Neste artigo vamos focar exclusivamente no trabalho de adaptação realizado para o novo console da Nintendo.

Quando a Bandai Namco anunciou Tales of Arise para o Nintendo Switch 2, uma das maiores dúvidas era como um dos JRPGs mais bonitos dos últimos anos se comportaria em um hardware portátil. A boa notícia é que o resultado é bastante positivo e consegue preservar boa parte da identidade visual do jogo, mesmo com algumas concessões técnicas inevitáveis.
Muito disso acontece porque Tales of Arise aposta em uma direção de arte estilizada, com cenários que lembram pinturas e personagens de traços marcantes. Diferente de títulos que buscam um realismo extremo, esse estilo envelhece muito bem e também facilita bastante o trabalho de adaptação para um hardware menos poderoso.

Quem, como eu, jogou a versão de PC em 4K, com todas as configurações no máximo e rodando a 60 fps, vai perceber imediatamente o downgrade gráfico. Mas seria ingenuidade esperar o contrário. Ainda assim, o resultado ficou muito melhor do que eu imaginava.
No modo dock, a qualidade da imagem é bastante agradável. Os cenários continuam bonitos, os efeitos visuais permanecem impressionantes e o estilo artístico faz um excelente trabalho escondendo parte das limitações do hardware. No portátil, a situação também surpreende positivamente. A imagem continua limpa, confortável de visualizar e faz dessa uma excelente opção para quem sempre quis levar um RPG desse porte para qualquer lugar.

O desempenho também agrada. Durante a minha experiência, o jogo se manteve muito próximo dos 30 quadros por segundo de forma consistente. Evidentemente, seria ótimo ter um modo de desempenho a 60 fps, principalmente em um RPG com um sistema de combate tão dinâmico quanto o de Tales of Arise, mas os 30 fps acabam sendo fáceis de aceitar depois de algum tempo, especialmente jogando no portátil.
Existe, porém, uma escolha curiosa que acaba chamando atenção de forma negativa.
As cenas cinematográficas em CG rodam a 60 fps, enquanto toda a jogabilidade permanece limitada a 30 fps. Na prática, isso cria um contraste bastante perceptível sempre que uma cutscene termina. Você passa de uma animação extremamente fluida para um gameplay visivelmente menos suave em questão de segundos. Não chega a prejudicar a experiência, mas essa diferença constante de fluidez acaba quebrando um pouco a continuidade visual e incomoda mais do que deveria ao longo da campanha.

O problema técnico que realmente mais me incomodou, no entanto, foi outro: a distância de renderização.
O draw distance é muito curto. Durante a exploração, é comum ver árvores, vegetação, pedras e diversos elementos do cenário surgindo poucos metros à frente do personagem. Esse pop-in acontece com frequência suficiente para ser impossível ignorar.
Além disso, o sistema de LOD (Level of Detail) também é bastante agressivo. Objetos mudam de qualidade constantemente conforme você se aproxima deles, tornando as transições muito evidentes. Em alguns mapas maiores, é fácil perceber partes inteiras do cenário sendo atualizadas praticamente diante dos seus olhos. É, sem dúvida, a limitação técnica mais evidente desta versão.
A boa notícia é que esses problemas ficam restritos ao aspecto visual. O combate continua extremamente divertido, a exploração mantém o mesmo ritmo da versão original e toda a excelente direção artística continua presente. Mesmo com as limitações técnicas, Tales of Arise permanece sendo um jogo belíssimo graças ao seu estilo visual, que consegue mascarar boa parte dos cortes gráficos.

No fim das contas, este não é o melhor lugar para jogar Tales of Arise se você busca a melhor qualidade técnica possível. As versões de PC, PlayStation 5 e Xbox Series continuam superiores nesse aspecto. Porém, se a sua prioridade é poder jogar onde quiser, o Nintendo Switch 2 entrega um port bastante competente.
Os problemas de LOD, a curta distância de renderização e o contraste entre as CGs a 60 fps e o gameplay a 30 fps estão presentes e incomodam em alguns momentos, mas nenhum deles consegue apagar o brilho de um dos melhores JRPGs da geração.
Se você sempre teve vontade de jogar Tales of Arise de forma portátil, esta adaptação entrega exatamente isso: uma experiência sólida, estável e muito divertida, mesmo sem alcançar a excelência técnica das plataformas mais poderosas.

Agradecemos a equipe da Bandai Namco que nos enviaram uma cópia do jogo para a criação deste Artigo









