Artigo

Duskfade é parecido com Kingdom Hearts? Entenda as semelhanças

O novo platformer 3D tem combate, movimentação e até momentos musicais que lembram a aventura de Sora, mas será que os dois jogos realmente são parecidos?
O novo platformer 3D tem combate, movimentação e até momentos musicais que lembram a aventura de Sora, mas será que os dois jogos realmente são parecidos?

Assim que a gente pega o controle e começa a mexer com Zirian, bate uma sensação estranhamente familiar. Não é déjà vu, é quase uma memória muscular: a forma como o personagem se move, ataca e reage aos comandos remete direto a controlar Sora em Kingdom Hearts. E olha, essa não é uma impressão isolada, foi algo que sentimos logo nos primeiros minutos de Duskfade e que ficou martelando durante boa parte da jornada.

Só que aqui vale um alerta antes de qualquer conclusão apressada: lembrar não significa ser igual. Duskfade bebe de várias fontes dá pra sentir pitadas de Ratchet & Clank e Jak and Daxter também e o resultado é um jogo com identidade própria, mesmo que carregue ecos bem nítidos de outros títulos que marcaram época. A comparação com Kingdom Hearts é o ponto de partida mais óbvio, mas ela não conta a história toda. E é isso que a gente quer destrinchar neste artigo.

O combate de Duskfade é parecido com Kingdom Hearts?

Vamos direto ao ponto que mais gera essa sensação de nostalgia: o combate.

Zirian empunha uma espada no caso, formada por ponteiros de relógio, seguindo a temática relojoeira que domina todo o jogo e o jeito como ele ataca, se movimenta durante as trocas de golpe e reage aos combos tem uma cadência muito parecida com a de Sora e sua Keyblade. Não é uma cópia, mas dá pra sentir o parentesco na forma como o jogo trabalha a movimentação do personagem em combate.

No entanto Duskfade não tem nenhum aspecto de RPG como os jogo da Square-Enix trabalha, assim o ataque é livre sem ter de esperar ATBs ou algo do tipo.

Duskfade - Batalhas no jogo - Review de Jogos

Só que junto com essa familiaridade vem também um problema clássico da fórmula: quando aparecem vários inimigos na tela ao mesmo tempo, a confusão visual toma conta. É comum levar dano sem entender exatamente de onde ele veio, e essa “bagunça” nas batalhas mais cheias pode incomodar, principalmente em quem preza por leitura clara de combate.

Por isso é fácil afirmar que existe sim uma familiaridade genuína na sensação de controlar o personagem em combate, mas Duskfade trabalha com uma estrutura muito mais simples do que a complexidade que Kingdom Hearts costuma entregar em suas batalhas.

A movimentação de Zirian é parecida com a de Sora?

Esse aqui é, na nossa opinião, o ponto mais interessante da comparação toda.

A movimentação de Zirian pelos cenários é mais solta e livre do que normalmente vemos em plataformas do gênero e é exatamente aí que a semelhança com Sora fica mais evidente, claro que com os ajustes naturais que uma geração de diferença entre os jogos proporciona.

O salto responde bem, a sensação de controle é confortável desde os primeiros minutos, e a exploração vertical dos cenários flui de um jeito que incentiva a gente a testar os limites do mapa só para ver até onde dá pra chegar. Essa liberdade de movimento também dialoga bem com o combate: não existe uma separação rígida entre “modo plataforma” e “modo luta”, os dois convivem no mesmo espaço e no mesmo ritmo, assim como acontece na franquia da Square Enix.

É esse conjunto entre salto, fluidez e a naturalidade de alternar entre pular e lutar sem fricção que faz Duskfade conversar tão diretamente com a memória de quem já botou a mão em Kingdom Hearts.

E a exploração?

Aqui é onde a comparação começa a esfriar um pouco, e onde Duskfade mostra a cara própria.

O jogo estrutura sua exploração em torno de quatro grandes cenários, cada um com áreas que só se tornam acessíveis conforme Zirian avança na história ou adquire novas habilidades, sejam golpes especiais, acessórios ou movimentos inéditos. Isso abre espaço para bastante backtracking: é preciso voltar a áreas já visitadas para coletar materiais como engrenagens e tintas, itens essenciais para desbloquear melhorias e colecionáveis.

Duskfade - Review de Jogos

Essa progressão baseada em habilidade que libera novo caminho é um design bem mais próximo da tradição dos platformers 3D clássicos do que qualquer coisa que a gente associaria a Kingdom Hearts.

E é justamente esse ponto que ajuda a mostrar que reduzir Duskfade a “parece Kingdom Hearts” não dá conta de explicar o jogo por completo. A espinha dorsal aqui é exploração, progressão e coleta, pilares que remetem muito mais a Ratchet & Clank e Jak and Daxter do que à saga de Sora.

A trilha sonora também lembra Kingdom Hearts

Tem um detalhe sonoro em Duskfade que reforça a comparação de um jeito bem sutil, mas eficiente.

Durante as batalhas, os arranjos musicais mudam de ritmo: a intensidade aumenta, o clima fica mais acelerado, acompanhando o calor do combate. Assim que o confronto termina, a trilha volta suavemente ao ritmo normal, retomando a ambientação tranquila que caracteriza a exploração dos cenários.

Esse vaivém entre tensão e calmaria, guiado pela música, é outro daqueles momentos em que dá pra sentir ecos claros de Kingdom Hearts e funciona muito bem como evidência de que a inspiração não é só estética ou de controle, ela também passa pela forma como o jogo usa o áudio para pontuar a experiência.

E embora as trilhas sonoras sejam bem originais, tem alguns momentos que sentimos que elas também encaixariam bem em Kingdom Hearts, mesmo sabendo que na maior parte do tempo o jogo da Square Enix se apoia em trilhas dos universos da Disney.

Então Duskfade é um “Kingdom Hearts”?

Não. Duskfade possui alguns elementos que podem lembrar Kingdom Hearts, principalmente no controle de Zirian, no combate e na trilha dinâmica que acompanha as batalhas. Mas sua identidade está muito mais ligada à tradição dos platformers 3D, aquela exploração recompensadora, a progressão por habilidades, o backtracking e os colecionáveis que fizeram a cabeça de quem cresceu com Ratchet & Clank e Jak and Daxter.

Duskfade - Review de Jogos

Chamar Duskfade de “um Kingdom Hearts” seria simplificar demais um jogo que tem sua qualidades e muito mais coragem própria de arriscar em um genêro que a cada dia que passa perde mais espaço a uma simples cópia sugeriria.

Conheça também
Último Review