I Hate This Place é um jogo de terror isométrico baseado na série de quadrinhos homônima e que bebe diretamente da fonte do horror dos anos 80. Desde os primeiros minutos, o título deixa claro que sua maior força está na atmosfera e nos mistérios que envolvem o cenário.
Na pele de Elena, retornamos a um local importante do seu passado ao lado da amiga Lou, onde ambas pretendem realizar um ritual. Como era de se esperar, algo dá muito errado. Ao acordar, Elena se vê sozinha, sem sinal de Lou, e decide se embrenhar pela mata em busca da amiga desaparecida.

O mistério se aprofunda quando a protagonista encontra um bunker antigo, tomado por criaturas bizarras, e se depara com uma figura inquietante: um homem usando a caveira de um alce, que parece conhecê-la e sugere que Lou pode estar por ali.
Esse é apenas o começo de uma trama que envolve maldições, seitas, fantasmas e a sensação constante de que ninguém que vive naquela região consegue realmente ir embora.
Mesmo sem conhecer a fundo a história em quadrinhos, a narrativa do jogo se sustenta muito bem sozinha, criando um universo perturbador que instiga o jogador a seguir em frente.
Gameplay isométrico com exploração e combate tenso
A jogabilidade de I Hate This Place utiliza uma visão isométrica com câmera fixa, limitando o campo de visão e reforçando a sensação de perigo. A exploração é ampla e variada, passando por matas, cabanas, fazendas, pântanos, bunkers e outras áreas que compõem a região amaldiçoada do jogo.
No combate, Elena pode enfrentar inimigos com um taco de beisebol em confrontos corpo a corpo ou utilizar armas de longo alcance, encontradas ou criadas ao longo da jornada. Aqui surge um dos primeiros pontos de estranhamento: o jogo utiliza o mesmo botão para atacar e atirar, sendo a diferença determinada pelo uso do analógico direito para mirar.
Vale ressaltar que grande parte dos inimigos não enxergam, portanto o game ainda traz um pouco de stealth em seu gameplay trazendo uma certa estratégia para quando iremos de fato eliminar um inimigo ou simplesmente passar por ele.

No início, isso pode soar confuso, mas após algumas horas o sistema se torna natural.
Uma vez superada essa curva inicial, o gameplay flui bem e se torna bastante envolvente, daqueles que fazem o jogador perder a noção do tempo.
Sobrevivência, crafting e gerenciamento de recursos
O jogo aposta forte em elementos de sobrevivência, tornando a exploração essencial. Coletar quinquilharias espalhadas pelos cenários é fundamental para criar armas, munições e itens de recuperação.

Elena possui três barras principais:
- Vida
- Estamina
- Saciedade
A barra de saciedade é especialmente importante: quando a personagem passa fome, sua estamina máxima é reduzida, limitando ataques físicos e o tempo de corrida algo crítico em situações de fuga e luta corpo a corpo.
A criação de itens acontece em bancadas espalhadas por bunkers e calabouços, mas também no rancho dos tios de Elena, que funciona como um verdadeiro hub do jogo. Nesse local, é possível administrar hortas, poços e outras construções que geram recursos automaticamente com o tempo.

Esse sistema adiciona uma camada estratégica interessante, mas também impacta diretamente no ritmo da experiência. Quanto mais o jogador investe em gerenciamento e crafting, mais controlável se torna a dificuldade. Por outro lado, essa estrutura pode quebrar um pouco o fluxo narrativo, especialmente para quem preferiria uma experiência mais direta e focada na história.
Missões bem guiadas e investigação sobrenatural
A progressão da história é facilitada por um livro de anotações de Elena, que registra missões, pedidos de NPCs e objetivos passo a passo, com marcações claras de conclusão. É muito difícil se perder em I Hate This Place.

O jogo também conta com um mapa detalhado, que marca automaticamente a região de missões ativas, guiando o jogador até o próximo objetivo.
Outro destaque é o ciclo de dia e noite, controlado por um relógio interno. Alguns eventos acontecem apenas em horários específicos, e o jogador pode dormir para recuperar vida e avançar o tempo. O dia costuma ser mais seguro para exploração e coleta, enquanto a noite revela o lado mais bizarro e assustador do mundo.
Além disso, o jogo traz missões paranormais envolvendo fantasmas, levando Elena a cenários específicos onde é necessário investigar mortes, coletar pistas, ler cartas e desvendar mistérios para escapar dessas experiências sobrenaturais. Durante o gameplay, não fica totalmente claro se há punições severas para erros nessas investigações, mas elas adicionam variedade e reforçam o clima de terror investigativo.

Atmosfera forte, mas problemas técnicos preocupam
Apesar do bom ritmo e da gameplay envolvente, I Hate This Place apresentou problemas técnicos durante a experiência:
- Pequenos travamentos
- Quedas constantes de FPS
- Um bug em uma missão que impossibilitou sua conclusão
Como o jogo foi testado antes do lançamento, é possível que essas falhas sejam corrigidas em um patch de day one. Ainda assim, fica o alerta para o jogador.

I Hate This Place vale a pena?

O que temos aqui é um prato cheio para quem gosta de histórias macabras, mistérios que se revelam aos poucos e experiências isométricas com forte identidade visual inspirada em quadrinhos. Após a adaptação inicial aos controles, o jogo entrega uma experiência envolvente e atmosférica.
Por outro lado, o foco intenso em sobrevivência e crafting pode quebrar o ritmo da narrativa, especialmente para quem busca uma progressão mais direta. Ainda assim, o conjunto funciona bem e oferece uma jornada intrigante, desde que o jogador esteja disposto a investir tempo em exploração e gerenciamento.
I Hate this Place está disponível para PC, PlayStation 5, Nintendo Switch e Xbox Series.
Agradecemos os amigos da Broken Mirror Games que nos enviaram uma cópia de PlayStation 5 do jogo para a criação deste review.













