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Castlevania: Belmont’s Curse mata a saudade, mas tem pequenas falhas

Castlevania Belmonts Curse - Review de Jogos
Rose Belmont enfrenta uma Paris tomada por demônios em um metroidvania maduro, colorido e cheio de plataformas.
Disponível para:
Playstation 5, Xbox Series S/X, Nintendo Switch 2, PC
Review escrito por:
Danilo Manzato

Depois de anos sobrevivendo de relançamentos e coletâneas, a icônica série Castlevania finalmente recebe um jogo novo com a estrutura clássica de exploração 2D. Castlevania: Belmont’s Curse chega para matar a saudade de quem se sentia abandonado pela franquia da Konami. Também serve bem para quem nunca jogou nada da série.

Resumindo logo de cara: são mais de 20h para fazer 100% e ver os 3 finais, a dificuldade padrão é tranquila e a nota final é 4 de 5. Ele não é o melhor metroidvania que você vai jogar, mas acerta bastante. Vamos aos detalhes.

Uma Paris dominada por demônios

Em Castlevania: Belmont’s Curse, chegamos a uma Paris já tomada por demônios. Trevor Belmont, que derrotou o Drácula há mais de 20 anos, está na cidade acompanhado da filha, Rose, em busca de respostas. Tudo indica que o Drácula está voltando e, como manda a tradição da família Belmont, eles terão de dar um jeito no vampirão mais uma vez.

Castlevania Belmont's Curse

Desta vez, quem fica no controle é Rose Belmont, a jovem em quem o pai confia a tarefa de explorar a cidade.

Rose, a maldição e o baralho de tarô

Rose não conheceu a mãe, mas ao nascer recebeu uma maldição que cobre todo o seu braço direito, deixando-o vermelho. Pouco se sabe sobre ela, a não ser que, quando Rose está com raiva, pode perder o controle por completo.

Antes de partir, a mãe deixou como herança um baralho de tarô, com a única informação de que ele poderia ser útil no futuro. As cartas começam vazias. Conforme exploramos os cenários, encontramos dicas que nos aproximam do personagem de cada carta, que pode ser um chefe ou um aliado.

Ao derrotar o chefe ou concluir a quest de uma carta, aquele personagem passa a conversar com Rose e se transforma em um golpe especial. Ela o equipa e usa por meio da barra de mana. São diversos golpes, mas só um pode ficar equipado por vez. Cada carta ainda traz desafios extras, como matar um número específico de inimigos ou chegar a um local determinado, que liberam pontos de upgrade. São 3 pontos por carta para deixar cada habilidade mais forte.

Gameplay: a base clássica com tempero da Motion Twin

Para este projeto, a Konami contou com a Motion Twin, desenvolvedora do aclamado Dead Cells, que chegou a ter expansões ligadas à marca Castlevania. Felizmente o estúdio não levou o jogo para a fórmula roguelike e manteve a base de exploração de outros títulos da franquia, como o clássico Symphony of the Night.

O resultado é um jogo que reúne o melhor e o pior das duas desenvolvedoras, mas que, no fim, traz mais pontos positivos do que negativos.

Um metroidvania maduro

A estrutura é de exploração 2D, justamente a que ajudou a popularizar o termo Metroidvania. Depois de tantos anos e de um gênero tão explorado, existem jogos melhores que este. Ainda assim, Castlevania: Belmont’s Curse é um jogo maduro, que entende o próprio tamanho e a importância que tem para os fãs que esperaram tanto por um título original da série.

Armas, chicote e ganchos

Rose tem habilidades que já conhecemos, e até cansamos de ver em praticamente todo jogo desse estilo. O que ajuda é o arsenal: espadas, lanças e, claro, o chicote tradicional da família. Cada arma tem variações de movimentos e muda bastante o estilo de jogo. O jogador escolhe a maneira que mais o agrada, e trocar de arma ao encontrar uma nova renova a campanha em vários momentos.

Castlevania Belmont's Curse

Rose também conta com uma espécie de segundo chicote, projetado em ganchos para alcançar novas plataformas ou fazer travessias mais rápidas. É algo típico do gênero: quanto mais avançamos, mais precisamos explorar novas possibilidades e caminhos pelos cenários.

Desafios de plataforma em quase toda sala

Aqui vem uma mudança que pode incomodar quem esperava algo mais próximo dos jogos antigos. Em quase toda a exploração, Castlevania: Belmont’s Curse traz desafios de plataforma que exigem desviar, pular e ser ágil para ir de um ponto a outro do mapa, seja para avançar, abrir um atalho ou chegar a um baú.

Castlevania Belmont's Curse

Pessoalmente, gostei muito. Cada nova sala renova nossas habilidades, em vez de ser só uma leva de inimigos e pulos básicos.

Amuletos: muita opção, pouco impacto

Além das armas, o jogo tem dezenas de amuletos que alteram os status da personagem, e é aqui que aparece a identidade roguelike da Motion Twin. Quase todos dão um atributo em troca de algo ou só funcionam sob uma condição. Um exemplo é o amuleto que aumenta a força, mas só funciona com menos de 33% de vida.

Eu não gosto dessa lógica de trocar um benefício por outro, acho cansativa. No fim, mesmo com tantas opções, usei basicamente os mesmos 3 amuletos na maior parte do tempo e deixei de explorar as outras possibilidades. Se existisse um sistema de builds que mudasse de verdade como é jogar com Rose ou enfrentar inimigos e chefes, tudo bem. Do jeito que está, a interferência é tão pequena que considerei uma grande perda de tempo.

Duração e dificuldade

Castlevania: Belmont’s Curse tem uma boa duração. Quem quiser fazer 100% e ver os 3 finais da aventura de Rose passa tranquilamente das 20h.

Um desafio tranquilo (e personalizável)

A dificuldade padrão é bem simples e não traz muitos desafios. Por outro lado, dá para customizar bastante a experiência nas configurações: escolher quanto dano causamos ou recebemos, a quantidade de itens de cura e até ativar uma opção que bloqueia a morte, permitindo continuar jogando quando a vida acaba. Para quem já está habituado ao gênero, fique tranquilo: é tudo relativamente fácil.

Castlevania Belmont's Curse

O sistema de level também pesa na dificuldade. Quanto mais inimigos derrotamos, mais forte Rose fica. Quem explora cada canto do mapa ainda é recompensado com livros azuis, que aumentam a defesa, e vermelhos, que aumentam o ataque.

Backtracking mais linear

Esses jogos costumam exigir muito backtracking, mas aqui ele funciona de forma mais linear. Ao entrar numa área nova, como a biblioteca, provavelmente irá resolver tudo em uma primeira visita. Voltar a áreas antigas serve mais aos completistas. Quem explora bem antes de enfrentar um chefe chega forte o bastante para massacrar o boss de cada área sem sustos.

Os pontos fracos: mapa e teleportes

Um mapa confuso

Não gostei da escolha de trabalhar com um mapa geral e vários mapas internos, um para cada área. O sistema é confuso, principalmente mais adiante, quando queremos conferir locais que deixamos de explorar ou aquele cantinho que pode esconder uma passagem secreta. Existem mapas de metroidvania aos montes e em vários modelos, e o escolhido aqui em alguns momentos mais atrapalhou do que ajudou.

Teleportes: o pior ponto do jogo

Para mim, o pior ponto do jogo são os teleportes. Eles simplesmente quiseram complicar algo que deveria ajudar.

O teleporte só fica disponível depois de um primeiro momento da aventura, e até aí tudo bem. O problema é que ele funciona a partir de um terceiro mapa, no qual precisamos encontrar o espelho da sala para onde queremos ir. É totalmente contraintuitivo: os espelhos mostram o nome da sala, mas o mapa não tem nomes. Como saber de forma natural para onde estou indo?

A ideia do teleporte é ganhar tempo indo do ponto A ao ponto B. Um obstáculo que deixa o jogador mais perdido do que ajudado é péssimo. Várias vezes tive preguiça de usar e fui andando até o destino, pelo menos ganhava mais níveis, mas provavelmente perdi bastante tempo que poderia ter sido otimizado. Não entendo de onde veio essa ideia: é o pior teleporte do gênero que já experimentei.

Direção de arte e trilha sonora

Cores saturadas, cenários esquecíveis

As escolhas artísticas são muito subjetivas e vão dividir o público. O jogo traz uma paleta bem mais colorida e saturada que outros da série, uma identidade que lembra o trabalho do estúdio em Dead Cells.

O problema dessa saturação é que os cenários não são tão memoráveis. Joguei por cerca de 20h e, se visse algumas das telas principais, não saberia dizer de que local do castelo se trata. Não é feio, mas faltou personalidade e diferenciação. Castlevania sempre teve fases e locais muito distintos entre si, e aqui, com exceção de algumas telas, tudo parece uma grande continuidade, um “mais do mesmo”.

Uma trilha que não gruda

A música também pode agradar ou não, principalmente aos fãs mais saudosos de Symphony of the Night, que tem uma das bibliotecas sonoras mais belas da história dos games. Aqui sofremos com o mesmo problema da arte: tudo é muito esquecível. Você desliga o jogo e não lembra de nada do que viu ou ouviu. A música de que mais gostei foi justamente uma releitura de outro jogo da franquia.

Veredito: vale a pena jogar o retorno dos Belmonts?

Castlevania: Belmont’s Curse é um ótimo jogo. Vai matar a saudade de quem se sentia abandonado pela franquia e é um excelente ponto de entrada para quem nunca jogou nada da série. No geral, ele acerta, e a Motion Twin fez um bom trabalho com a responsabilidade que caiu em suas mãos.

Castlevania Belmont's Curse

Mesmo com os problemas dos teleportes e com a mecânica de amuletos dispensável, explorar cada canto dos cenários, entender a trama dos personagens e ver uma nova Belmont nesse universo foi muito divertido e prazeroso.

Agora é torcer para que este não seja o último jogo da série por tantos anos e que tenhamos novos Castlevanias com mais frequência. Esse é um gênero querido por muitos, e é sempre bom ver grandes empresas ainda apostando em jogos de menor porte, que hoje acabam ficando quase só nas mãos de desenvolvedores independentes.

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O jogo conta com 3 finais, mas no geral o primeiro e segundo não exigem muito do jogador para serem realizados, apenas para o terceiro final será necessário realizar uma quest porém está longe de ser um grande desafio ou algo complexo de se descobrir como o clássico mistério do castelo invertido de Symphony of the Night.

Castlevania: Belmont’s Curse mata a saudade, mas tem pequenas falhas

Disponível para:

Playstation 5, Xbox Series S/X, Nintendo Switch 2, PC

Versão do jogo que jogamos:

PC
O jogo possui legendas em Português mas não é dublado.

Pontos Positivos

  • Rose Belmont é uma protagonista carismática, com arsenal variado
  • Desafios de plataforma que renovam as habilidades a cada sala
  • Dificuldade bastante personalizável, ótima para jogadores de todos os níveis

Pontos Negativos

  • Sistema de teleportes contraintuitivo, o pior ponto do jogo
  • Mapa geral mais mapas internos, confuso e pouco prático
  • Amuletos com pouco impacto e condições que cansam
Review escrito por:
Danilo Manzato

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