Review

Box Knight traz uma sátira corporativa perdida em hordas

Box Knight - Review de Jogos
O escritório vira campo de batalha, mas o roguelike não sai do lugar comum
Disponível para:
PC
Review escrito por:
Danilo Manzato

Roguelike já não é novidade nenhuma. E dizer que o gênero está saturado também não é nenhuma descoberta genial, isso a gente já sabe há um tempo. Box Knight entra nessa fila de jogos que resolveram surfar na mesma onda que dezenas de outros títulos já surfaram (e alguns até bem). Não tem nada de errado nisso, cada estúdio escolhe o caminho que acha mais honesto para o próprio projeto, mesmo que esse caminho já esteja bem trilhado.

O problema é que Box Knight poderia ter sofrido bem menos se tivesse tido a coragem de ser um jogo linear, sem cair na repetição que é praticamente marca registrada do gênero.

Uma otima ideia escondida atrás de hordas de inimigos

O conceito por trás de Box Knight é ótimo. A premissa é a seguinte: funcionários de uma grande corporação que, em algum momento do expediente, incorporam o espírito de guerreiros só que tudo feito de um jeito completamente amador, com espadas e armaduras de papelão (dá pra sacar de onde vem o nome do jogo) e outros equipamentos montados com o que sobra numa sala de escritório.

Os inimigos seguem a mesma lógica satírica: são funcionários acomodados disfarçados de goblins e outras criaturas, enquanto os chefões de fase nada mais são do que diretores de setores da empresa como a gerente de RH, o CEO malvado, e por aí vai. Até os NPCs que ajudam o jogador entram na brincadeira: são colegas de escritório que sugerem melhorias, vendem itens e ajudam a montar builds de personagem.

É um cenário de sátira corporativa com um potencial gigantesco, e dá pra perceber que teve carinho na concepção. O problema é que essa ideia acaba se perdendo atrás de hordas e hordas de inimigos genéricos, só para cumprir a obrigação de ser “mais um roguelike” no catálogo.

Gameplay: entender a horda é mais importante do que parece

A campanha de Box Knight é dividida em fases, e os inimigos aparecem organizados em hordas, cada uma com funções bem específicas. Aqui a sacada é interessante: cada inimigo carrega a personalidade de um tipo de gente que a gente encontra no mundo corporativo, e alguns têm papéis estratégicos dentro do grupo como aqueles chamam reforços ou o que recupera vida de outros. Entender quem é quem na horda é essencial para escolher a ordem certa de ataque.

Só que, conforme a gente avança, o número de inimigos vai crescendo e novos tipos vão surgindo. É legal na primeira vez que você esbarra com um inimigo inédito lá pelo meio da campanha. O problema é que, depois de desbloqueado, esse inimigo passa a aparecer já na primeira fase do jogo. Resultado: a repetição vira ainda mais cansativa, e rejogar as fases iniciais fica chato, porque a horda é sempre praticamente a mesma.

Esse desequilíbrio na hora de introduzir os inimigos tira a graça de sentir que você está evoluindo para enfrentar um desafio mais estratégico na fase seguinte. No final das contas, Box Knight vira só uma briga por quem tem mais HP e mais dano sem muita nuance além disso.

Veredito

Box Knight tem uma ideia de tema muito original e cheia de potencial satírico, mas acaba escorregando justamente por insistir em entregar uma gameplay genérica, presa às fórmulas de um gênero saturado, em vez de arriscar algo mais linear e menos repetitivo.

Fica a sensação de que o jogo tinha tudo para ser mais lembrado se tivesse tido um pouco mais de coragem.

Agradecemos os amigos da We Made a Thing Studios que gentilmente nos enviaram uma cópia de Box Knight para a criação deste review.

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Sem spoilers para Box Knight.

Box Knight traz uma sátira corporativa perdida em hordas

Disponível para:

PC

Versão do jogo que jogamos:

PC
O jogo possui legendas em Português mas não é dublado.

Pontos Positivos

  • Premissa Original
  • Inimigos e chefes com identidade visual e conceitual criativa
  • Primeiro contato com novos inimigos é genuinamente interessante

Pontos Negativos

  • Alta repetitividade ao rejogar fases anteriores
  • Gameplay genérica demais para um conceito tão original
  • Se apega às fórmulas do roguelike saturado em vez de arriscar um formato mais linear
Review escrito por:
Danilo Manzato

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