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Just Dance Decades of Hits tem a pior setlist da história da franquia

Uma boa aventura com uma setlist decepcionante.
Disponível para:
Playstation 5, Xbox Series S/X, Nintendo Switch
Review escrito por:
Doizelly

Pela primeira vez em anos, a Ubisoft decidiu não lançar uma nova edição numerada de Just Dance, deixando de lado o esperado Just Dance 2027 Edition para apostar em algo diferente: Just Dance: Decades of Hits.

A proposta é reunir músicas que marcaram gerações, atravessando seis décadas da história da música em uma edição especial.

Mas o que acontece quando uma franquia conhecida por seu repertório musical decide olhar para o passado e celebrar os maiores hits de diferentes épocas? A resposta está em uma nova aventura que promete trazer novidades para quem acompanha a série há anos.

A pior setlist da história de Just Dance

Eu não estou exagerando quando digo que Just Dance Decades of Hits tem a pior setlist da história da franquia. A proposta é celebrar os maiores sucessos de seis décadas da música, reunindo clássicos que marcaram gerações e hits mais recentes. Parece uma ideia excelente, não é? Então me explica, Ubisoft: cadê os hits que fazem essa edição valer a pena?

São 35 músicas distribuídas entre os anos 1970 e 2020, com nomes como ABBA, Madonna, Spice Girls, Britney Spears, Gorillaz, Chappell Roan e Sabrina Carpenter. Olhando para os artistas, existe potencial de sobra para montar uma seleção memorável. O problema é que, para mim, o resultado é uma coleção de músicas que não desperta vontade de continuar dançando. É impressionante como conseguiram errar tanto justamente no aspecto mais importante de um jogo musical.

Just Dance Decades of Hits SetList

Não estou dizendo que todas as músicas escolhidas sejam desconhecidas ou que não tenham feito sucesso. O problema é a curadoria. Quando você anuncia um jogo para celebrar décadas de hits, espero uma seleção que me faça pensar em quantas músicas incríveis foram reunidas ali. Em vez disso, termino a experiência com a sensação de que faltou muita coisa e de que várias escolhas simplesmente não me convencem.

E não adianta distribuir as faixas entre diferentes épocas se a seleção não me conquista. A presença de músicas conhecidas não é suficiente para tornar o conjunto interessante. São apenas 35 músicas novas, e, quando boa parte delas não me agrada, fica difícil encontrar motivos para continuar jogando depois de experimentar as principais novidades.

O modo Aventura é a maior surpresa e decepção

Se a seleção musical é minha maior decepção, o modo Aventura é, sem dúvidas, a maior surpresa de Just Dance Decades of Hits. Só que existe um problema que não consigo ignorar: a Ubisoft resolveu começar outra história do zero.

Desde Just Dance 2023 Edition, a franquia vinha brincando com a ideia de contar histórias por meio de suas músicas. A campanha era curta, durava aproximadamente 30 minutos e funcionava quase como uma playlist na qual as coreografias e as cenas cinematográficas entre as faixas se conectavam para construir uma narrativa. Era uma experiência simples, mas interessante justamente por transformar músicas individuais em partes de uma história maior.

Enter the danceverses

Just Dance 2024 Edition deu continuidade à proposta e terminou deixando um gancho para uma possível continuação nos jogos seguintes. No entanto, Just Dance 2025 Edition e Just Dance 2026 Edition chegaram sem um modo história, supostamente porque a Ubisoft estava preparando algo mais concreto para a franquia. A ausência da campanha me decepcionou tanto que sequer cheguei a jogar a edição de 2025.

Just Dance Decades of Hits Modo Aventura

E então chegamos a Just Dance Decades of Hits, que traz uma aventura nova, com personagens diferentes, e deixa de lado o gancho que a franquia havia plantado em 2024. É difícil não estranhar essa decisão: a Ubisoft começou a contar uma história e, em vez de dar continuidade a ela, optou por recomeçar do zero, como se aquele arco não tivesse tido importância. Para mim, ele teve, e sinto falta de ver esse caminho levado adiante.

Não espero que Just Dance tenha uma narrativa digna de um RPG de dezenas de horas, mas, se a própria franquia começa a construir um universo e deixa pontas soltas, seria interessante ver essa história chegar a algum lugar. O novo modo pode ser uma evolução em relação às campanhas anteriores, mas isso não apaga a frustração de abandonar uma narrativa que já estava em andamento.

Dito isso, preciso reconhecer que a Ubisoft acertou em algumas ideias.

Em Just Dance Decades of Hits, acompanhamos Lyra Gigavolt em uma jornada para resgatar seu pai, o Dr. Gigavolt, que acabou preso no futuro após um experimento. Para libertá-lo, ela precisa viajar por diferentes décadas e reunir energia musical suficiente para concluir sua missão. A aventura se divide em seis mundos temáticos, cada um inspirado em uma época da música.

A grande diferença é que, agora, os personagens realmente conversam entre si. Em vez de depender apenas de cenas cinematográficas entre as músicas, o jogo apresenta diálogos em uma estrutura que lembra uma visual novel, com os personagens aparecendo na tela e caixas de texto conduzindo a narrativa. Não existe dublagem nessas conversas, mas a história ganha mais espaço para se desenvolver e deixa de parecer apenas uma sequência de vídeos conectados por coreografias.

Just Dance Decades of Hits Mapa Mundi

Também gostei da maneira como a campanha organiza a progressão. Cada música possui uma pontuação mínima necessária para avançar, e o jogo oferece três níveis de dificuldade que alteram o quanto você precisa pontuar para superar os desafios. Não é obrigatório completar todas as músicas de cada década: normalmente, basta concluir três das cinco faixas disponíveis para liberar a próxima etapa.

Entre uma dança e outra, ainda existem quizzes com perguntas relacionadas à década visitada. São pequenas atividades que ajudam a variar o ritmo da campanha e reforçam a proposta de viajar pela história da música.

Just Dance Decades of Hits Quizz

É uma estrutura simples, mas funciona. Finalmente existe um motivo para percorrer as músicas em uma ordem determinada, em vez de apenas selecionar qualquer faixa no menu. A campanha cria um objetivo, apresenta uma progressão mais clara e oferece algo para quem gosta de jogar sozinho e procura um pouco mais do que simplesmente dançar.

O curioso é que esse modo Aventura é justamente o tipo de evolução que eu gostaria de ver na franquia. Existe uma tentativa de transformar o jogo em uma experiência mais organizada, com personagens, objetivos e desafios. É uma pena que a Ubisoft não tenha aproveitado a oportunidade para continuar a história anterior.

No fim, a novidade me deixa dividido. Fiquei satisfeito com a maneira como a campanha foi estruturada, mas frustrado com a decisão de abandonar o que já havia sido construído. É um avanço na forma de contar uma história, acompanhado de um retrocesso na continuidade narrativa.

O Just Dance de sempre

Fora o modo Aventura, Just Dance Decades of Hits continua sendo aquilo que você já conhece. As coreografias seguem o formato tradicional da franquia, com movimentos para acompanhar na tela e pontuação baseada na precisão dos seus passos. Os modos Party e Exercício também estão presentes, assim como a possibilidade de jogar com até seis pessoas localmente e utilizar o smartphone como controle.

A principal diferença está na organização temática das músicas e na tentativa de dar mais identidade a cada década. É uma ideia que combina com a proposta da edição e ajuda a separar a experiência em diferentes períodos musicais.

Entretanto, não espere uma revolução na jogabilidade. Quem já conhece os jogos anteriores vai se sentir em casa, e os novatos continuam encontrando uma experiência acessível para dançar sozinho ou reunir os amigos. O problema é que a familiaridade também evidencia como a franquia depende de uma boa seleção musical para justificar cada nova edição.

Quando o repertório não funciona para você, sobra pouco para compensar. E, considerando que a maior parte da experiência continua girando em torno das músicas, não dá para tratar a setlist como um detalhe secundário.

Vale a pena comprar Just Dance: Decades of Hits?

Just Dance Decades of Hits tem uma ideia interessante e entrega um modo Aventura que considero uma evolução em relação às campanhas mais simples das edições anteriores. A progressão por décadas, os diálogos entre personagens e os pequenos quizzes dão mais propósito à experiência, mas nada disso compensa a seleção musical extremamente decepcionante. Uma edição que promete celebrar os maiores hits de várias gerações deveria oferecer um repertório capaz de conquistar diferentes públicos, e não me fazer questionar por que eu gastaria R$ 199,90 em apenas 35 músicas que não despertam vontade de dançar.

Continuo defendendo que a Ultimate Edition, com 12 meses de Just Dance+, é o melhor investimento para quem quer aproveitar a franquia a longo prazo. Ter acesso a centenas de músicas oferece muito mais variedade do que comprar uma edição anual cujo repertório pode enjoar rapidamente, especialmente quando a seleção é tão fraca quanto a desta vez. No fim, gostei da direção tomada pelo modo Aventura, não gostei de ver a história anterior abandonada e detestei as músicas escolhidas. É difícil recomendar um jogo de dança quando justamente aquilo que deveria fazer você levantar do sofá é o seu maior problema.

Ubisoft, da próxima vez que prometer uma celebração dos maiores hits da história, por favor, lembre-se de colocar os hits no jogo.

Agradecemos a equipe da Ubisoft que nos enviaram uma cópia do jogo para a criação deste review

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Sem spoilers

Just Dance Decades of Hits tem a pior setlist da história da franquia

Disponível para:

Playstation 5, Xbox Series S/X, Nintendo Switch

Versão do jogo que jogamos:

Nintendo Switch
O jogo possui legendas em Português mas não é dublado.

Pontos Positivos

  • Modo Aventura aprimorado
  • Progressão por décadas
  • Quizzes temáticos divertidos
  • Narrativa mais desenvolvida

Pontos Negativos

  • Setlist extremamente decepcionante
  • História anterior abandonada
  • Custo-benefício pouco atraente
Review escrito por:
Doizelly

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