Review

Duskfade: Nostalgia, Charme e Coragem

Duskfade - Review de Jogos
Entre engrenagens, nuvens e uma torre contra o tempo, Duskfade resgata o que fazia os plataformas 3D serem especiais
Disponível para:
Playstation 5, Xbox Series S/X, Nintendo Switch 2, PC
Review escrito por:
Danilo Manzato

Duskfade é daqueles jogos que sabem exatamente o que querem ser. Inspirado em clássicos de plataforma que marcaram gerações passadas, como Ratchet & Clank, Jak and Daxter e até Kingdom Hearts, a paixão da equipe pelo gênero transborda a cada instante e isso fica claro já nos primeiros minutos de jogo.

Vivemos numa época em que boa parte dos lançamentos parece sofrer de um inchaço proposital, só para “justificar” o preço ou mendigar mais algumas horas da nossa atenção. Duskfade vai na contramão disso tudo: entrega uma experiência clássica, despreocupada, e cujo único objetivo é lembrar a gente de como jogar video game pode ser simplesmente delicioso.

Simples na proposta, redondo na execução

Embora a ideia por trás de Duskfade possa parecer simples à primeira vista, o jogo entrega tudo muito bem executado. O visual é agradável e único em cada bioma, a gameplay responde bem aos nossos comandos, e os personagens dentro do tom ingênuo que a história busca funcionam de forma natural. É aquele tipo de cuidado que era comum antigamente, quando os jogos só queriam ser jogos, sem precisar se transformar em máquinas de justificar horas de duração e transições financeiras.

Em Duskfade controlamos Zirian, um jovem que vive em um mundo erguido pelos grandes mestres relojoeiros. Um dia, sua irmã que sonha em se tornar uma mestra relojoeira está em seu laboratório finalizando um projeto quando, do nada, uma torre gigantesca surge e destrói tudo ao redor. Zirian consegue escapar, mas sua irmã fica presa dentro desse novo local, que se fecha com quatro trancas enormes.

É nesse momento que conhecemos Cuckoo, um pássaro mecânico que não se lembra bem de onde veio, mas que também quer reencontrar a irmã de Zirian. Juntos, os dois partem numa jornada para destrancar a torre e resgatá-la enquanto a cidade, populada por nuvens simpáticas, deposita no jovem toda a esperança de acabar com esse caos antes que tudo chegue ao fim.

À primeira vista, a trama pode soar bobinha, um prenúncio qualquer de aventura genérica. Mas Duskfade vai construindo, aos poucos, um mundo maior através de flashbacks que revelam mais sobre Zirian, sua irmã, seu avô e os outros personagens que cruzam essa jornada.

Gameplay com liberdade, exploração e uma pitada de Kingdom Hearts

A gameplay de Duskfade funciona de forma bem livre. Zirian empunha uma espada formada por ponteiros de relógio e aqui vale destacar a direção de arte, que soube pegar a temática relojoeira e aplicá-la em diversos detalhes pelo mundo do jogo.

A missão central passa por libertar quatro correntes espalhadas pelo mundo, uma em cada canto do universo, o que nos leva a explorar biomas bem diferentes entre si. Essa exploração tem certas limitações do tipo que a gente já sabe que vai poder resolver mais para frente, com alguma habilidade nova. Essas habilidades vão surgindo ao longo da história, seja como golpes especiais, acessórios ou novos movimentos, e abrem caminho para áreas antes inacessíveis, incentivando bastante o backtracking.

Explorar também compensa: aumenta a vida de Zirian e a quantidade de pontos de habilidade disponíveis. Cada inimigo derrotado rende pontos para comprar novas habilidades e melhorias, além de opções estéticas como roupas e cores diferentes para a arma, tudo sem microtransação nenhuma, exatamente como na “época em que a única moeda necessária era o nosso tempo se divertindo”.

Só que aqui vale um adendo: para conseguir itens e habilidades, não basta simplesmente sair matando inimigos. É preciso coletar materiais como engrenagens e tintas, o que só se consegue realmente explorando cada canto dos cenários. O jogo até avisa quais itens existem em cada área e o que ainda falta conquistar, mas confesso que senti falta de mapas, em vários momentos me perdi um pouco, o que dificultou encontrar certos itens durante a exploração.

Estrutura, chefes e dificuldade

Todos os cenários trazem inimigos parecidos entre si, mas que evoluem em relação ao bioma anterior. Apesar de existirem quatro grandes cenários a explorar para liberar a torre, Duskfade não dá liberdade total de ordem, seguimos a sequência de fases definida pelo jogo. E isso faz sentido, já que chefes e mecânicas vão evoluindo conforme avançamos.

Cada um desses quatro mapas se divide em áreas menores, funcionando como fases com começo e fim, culminando sempre em um confronto contra um chefe que libera uma das trancas da torre. As batalhas contra os chefes são bem criativas, mas o jogo, no geral, não é muito desafiador, mesmo com seleção de dificuldade disponível. Depois que a gente entende o padrão de ataque de cada inimigo ou chefe, sobreviver aos desafios de Duskfade se torna tranquilo.

Pessoalmente, me empolguei muito mais com a exploração e as plataformas do que com o combate em si, mas quando esses momentos de luta aconteciam, estavam bem calculados, trazendo equilíbrio ao ritmo do jogo. Tanto que, depois de zerar e partir para a platina, acabei evitando boa parte das batalhas opcionais, enfrentando só as obrigatórias.

Controlar Zirian lembra muito controlar Sora em Kingdom Hearts, obviamente com melhorias naturais do salto de tempo entre um jogo e outro, trazendo um personagem mais solto e livre pelos cenários. Mas Duskfade também herda alguns problemas típicos da referência: quando o combate fica caótico, com muitos inimigos ao redor, é comum tomar dano sem entender exatamente de onde ele veio.

Essa “bagunça” visual pode incomodar um pouco e talvez pudesse ter sido mais bem trabalhada. Mas, com o passar das horas, a gente acaba se acostumando e relevando.

Direção de arte e trilha sonora: coloridos sem serem brega

A direção criativa de Duskfade merece destaque à parte. Tudo é muito bonito, bem iluminado e colorido — e sim, dá para um jogo ser colorido sem ser brega.

Mesmo em meio a uma corrida contra o tempo para resgatar alguém, os cenários trazem uma leveza interessante à jornada. Zirian deixa claro, em diversos momentos, que sempre viveu em seu vilarejo com os amigos nuvens, e que conhecia boa parte desses cenários apenas pelas histórias que o avô contava. Esse deslumbre genuíno do personagem que sonha em um dia voltar ali com a irmã, já que ela também sempre quis conhecer esses lugares, dá um toque emocional bem gostoso à aventura. Ora estamos dentro de um vulcão, ora nos corredores de uma biblioteca mágica, e tudo se encaixa perfeitamente no universo lúdico que os criadores quiseram construir.

A trilha sonora segue essa mesma linha, entregando uma ambientação excelente. As músicas conversam com os cenários explorados, ajudando ainda mais na imersão nesses pequenos mundos que vamos descobrindo ao lado de Zirian. Os arranjos também mudam de ritmo durante as batalhas, acelerando e ganhando intensidade, para depois voltar ao normal quando os desafios são superados — mais um momento em que dá para sentir ecos de Kingdom Hearts.

Duskfade foi a minha maior surpresa do ano

Cresci jogando video game e, assim como boa parte da equipe por trás de Duskfade, passei horas e horas em jogos de plataforma 3D um gênero que hoje em dia não tem tanto destaque, nem tantos bons representantes.

Confesso que, quando recebi o jogo para avaliação, não estava com grandes expectativas. Imaginei que seria só mais um jogo bonito, mas meio sem sal, algo que acontece com certa frequência nesse estilo. Fiquei feliz em estar completamente enganado.

Bastaram poucos minutos controlando o personagem e explorando os primeiros cenários para sentir que tinha algo muito bom ali na minha frente, pronto para uma jornada deliciosa. Duskfade me manteve com o sorriso no rosto o tempo todo, foram horas de jogo sem vontade de parar, sempre querendo descobrir mais, evoluir para novos cenários, e mesmo depois de zerar, quis continuar explorando cada canto, atrás de itens e da platina.

Esse é o tipo de jogo que me fez parar para pensar, em diversos momentos, o quanto jogar video game é bom e o quanto isso me faz bem. Recomendo Duskfade para qualquer pessoa que queira se reconectar com a experiência simples de pegar um jogo, explorar plataformas, derrotar inimigos e acompanhar uma boa história com começo, meio e fim. Funciona perfeitamente no seu próprio tempo, mesmo sendo, de certa forma, uma obra atemporal.

Agradecemos os amigos da Fireshine Games e da Weird Beluga por gentilmente nos enviarem uma cópia de PlayStation 5 de Duskfade para a criação deste review.

O game está disponível para PlayStation 5, Nintendo Switch 2, PC (Steam) e Xbox Series.

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Sem spoilers para Duskfade.

Duskfade: Nostalgia, Charme e Coragem

Disponível para:
Playstation 5, Xbox Series S/X, Nintendo Switch 2, PC
Versão que jogamos:
Playstation 5
O jogo possui legendas em Português mas não é dublado.

Pontos Positivos

  • Direção de arte criativa, colorida e coesa com a temática
  • Batalhas de chefe criativas e bem calculadas dentro do ritmo do jogo
  • História simples na superfície, mas com camadas reveladas por flashbacks
  • Trilha sonora que se conecta perfeitamente com cada cenário

Pontos Negativos

  • Falta de um mapa detalhado por área, o que dificulta a exploração
  • Combate pode ficar “bagunçado” visualmente quando há muitos inimigos na tela
Review escrito por:
Danilo Manzato

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