Review

Black Flag Resynced revive a Era da Pirataria

Assassins Creed Black Flag Resynced - Review de Jogos
Treze anos depois de volta aos mares do Caribe em um remake que prova que a fórmula de 2012 ainda navega muito bem
Disponível para:
Playstation 5, Xbox Series S/X, PC
Review escrito por:
Danilo Manzato

Falar de Assassin’s Creed Black Flag Resynced é, sem dúvida, um trabalho fácil e divertido, porque a mesma diversão de anos atrás continua bem viva por aqui. A maior dificuldade, na real, é decidir pra quem exatamente este texto se direciona: para alguém, como eu, que jogou o título original há mais de uma década e quer voltar a este Caribe agitado, ou para quem está pisando pela primeira vez nesse universo.

Assassin's Creed Black Flag Resynced

E é aí que mora a genialidade da escolha da Ubisoft. Black Flag é um remake perfeito justamente por não estar necessariamente amarrado ao restante da franquia. Se você não jogou nenhum outro Assassin’s Creed antes mas gosta do estilo, dificilmente vai deixar de curtir Black Flag Resynced. E pra quem já é veterano, pode ficar tranquilo: tudo aqui foi aprimorado, trazendo gráficos e jogabilidade atualizados, principalmente nas batalhas.

Um pirata que virou Assassino

Assassin’s Creed Black Flag conta a história de um personagem que fazia parte do passado de um dos personagens principais dentro de Assassin’s Creed 3, mas funciona perfeitamente como um jogo independente, sem interferir diretamente na trama principal. Isso é ótimo pra um remake, já que os cinco jogos anteriores fazem parte de um emaranhado narrativo bem mais complicado, onde uma história se conecta diretamente à outra.

Esse ciclo, aliás, chegou ao fim justamente em Assassin’s Creed 3, um jogo que não agradou tanto e cuja conclusão de história me decepcionou. Isso fez com que o interesse pela franquia esfriasse, e só voltei a jogar depois da recomendação de alguns amigos na época.

Assassin's Creed Black Flag Resynced

Em Black Flag assumimos o controle de Edward Kenway, um homem que sonha ser corsário, mas que o destino acaba o transformando em pirata. Esse destino o coloca no caminho de um Assassino, que após um embate entre eles é eliminado e tem seu clássico manto típico roubado nascendo ai sua entrada no confuso e eterno conflito entre Templários e Assassinos.

E é justamente aqui que mora o que mais gosto em Black Flag, Edward é um personagem ambíguo, que no fundo não está muito preocupado com nada além da própria sobrevivência e ambição. Ele quer riqueza suficiente para dar à sua amada esposa uma vida de luxo e conforto, e nada nem ninguém deve ficar no caminho disso. Pra quem começou na franquia há pouco tempo, esse detalhe pode parecer bobo, mas nos primeiros jogos da série a dicotomia mocinho (Assassino) x vilão (Templário) chegava a cansar. O desprezo de Edward por qualquer um dos lados trouxe um respiro e tanto pra narrativa.

Gameplay: combate afiado, exploração fiel

Os controles de combate foram atualizados, agora utilizando os botões superiores para atacar e contra-atacar, mas a essência da mecânica segue igual: lidar com inimigos que aparecem sozinhos ou acompanhados, decidindo na hora se você vai desviar, atacar ou usar uma artimanha, como uma bomba de fumaça, pra sumir dali ou assassinar o alvo. Edward conta com combate corpo a corpo usando duas espadas, além de pistolas para atirar em inimigos à distância, o que mantém as batalhas sempre dinâmicas.

Assassin's Creed Black Flag Resynced

Já a exploração das cidades não foge da fórmula repetida desde o primeiro jogo da franquia: andar, correr, escalar construções e buscar pontos de interesse pelo mapa, como baús, sidequests e os clássicos pontos de sincronização.

Vale destacar, porém, um ponto que pode incomodar: mesmo sendo um remake, todo o controle de movimentação de Edward segue bem parecido com o do original. O que falhava no passado, continua falhando aqui.

O verdadeiro trunfo: os mares do Caribe

Se tem uma coisa que sempre foi a grande sacada de Black Flag, é a exploração marítima. A mecânica de navios já havia aparecido de forma tímida em Assassin’s Creed 3, mas foi em Black Flag que ela ganhou escala e em Resynced está ainda mais bonita de se explorar.

Assassin's Creed Black Flag Resynced

O controle da embarcação segue basicamente igual ao original. Edward comanda a tripulação, ordenando que as velas sejam abertas para ganhar velocidade ou fechadas para reduzir direcionando seu navio no comando do timão. Desde o início, o navio pode enfrentar outras embarcações com canhões e armamentos que vão sendo adicionados e aprimorados ao longo do jogo. O uso de cada arma durante os combates navais é um pouco confuso a princípio, mas a gente se acostuma conforme avança e enfrenta mais batalhas.

Além disso, com o navio é possível atacar fortalezas para reduzir a resistência inimiga e invadir novas regiões que são verdadeiras batalhas de chefe e em alguns pontos do mar dá pra mergulhar em busca de tesouros naufragados. O verdadeiro tesouro de Black Flag Resynced é justamente essa mescla entre exploração terrestre e marítima, trazendo o clima de aventura pelo Caribe junto a mecânica que consagrou a franquia.

Assassin's Creed Black Flag Resynced

Visual e apresentação: a versão definitiva

Por se tratar de um remake, Black Flag Resynced traz praticamente toda a fidelidade da campanha original como personagens, locais, músicas, tudo está lá, mas com um visual muito mais encantador. O trabalho de iluminação em meio às matas e ao mar, seja ele calmo ou em plena tempestade, funciona muito bem para dar vida ao jogo nesta geração.

Vale lembrar que o original já chegou bonito na troca de geração entre PlayStation 3 e 4, com versões visuais diferentes entre si. Mas é em Resynced que temos, enfim, a maneira definitiva de jogar e apreciar Black Flag.

Quanto à história e às sidequests, sem lembrar de todos os detalhes do original o suficiente pra apontar grandes novidades, o destaque vai para uma mudança e tanto: a remoção total dos momentos fora do Animus. Nos jogos antigos da série, incluindo o Black Flag original, a imersão era quebrada repetidamente para sequências fora do encantador mundo do passado, e em Assassins Creed Black Flag sempre voltavamos para um mundo chato em primeira pessoa em escritórios e ambientes corporativos. Felizmente, essa parte foi completamente eliminada em Resynced, mantendo o foco cravado nas aventuras de Edward pelas florestas, mares e cidades caribenhas.

Desempenho técnico (versão testada)

Esta análise foi feita na versão de PlayStation 5 (base), que conta com três modos gráficos:

  • Qualidade — prioriza o visual
  • Performance — roda a 60FPS
  • Equilíbrio — roda a 40FPS sem perder muito do visual (disponível apenas em TVs/monitores com pelo menos 120Hz)

A opção escolhida para este review foi o modo Equilíbrio. Em todas as horas de jogo, nenhum bug ou problema relevante foi registrado.

Conclusão

Assassin’s Creed Black Flag Resynced prova que a fórmula que funcionou lá em 2012 continua funcionando muito bem hoje. O jogo nos leva ao Caribe no fim da Era de Ouro da Pirataria, no controle de um personagem arrogante, egoísta, que só quer sobreviver do seu próprio jeito em um mundo onde qualquer um pode te apunhalar pelas costas a qualquer instante o que o torna fascinante.

Assassin's Creed Black Flag Resynced

Explorar as belezas naturais e a vastidão dos mares continua sendo o grande trunfo do jogo, e agora, além de divertido, está mais lindo que nunca. Black Flag Resynced carrega para si tanto os acertos quanto os defeitos do jogo original: quem já gostava do título vai navegar tranquilo por um mar calmo, mas os marujos de primeira viagem devem se preparar para uma aventura cheia de ícones no mapa mas que a jornada, no final, vale muito a pena.

Assassin’s Creed Black Flag Resynced tem data de lançamento para o dia 9 de julho de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC (via Ubisoft Store, Steam e Epic Games Store).

Agradecemos os amigos da Ubisoft Brasil que gentilmente nos enviaram uma cópia de PlayStation 5 para a criação deste review.

Confira também estes reviews

Sem spoilers para Assassin’s Creed Black Flag Resynced

Black Flag Resynced revive a Era da Pirataria

Disponível para:
Playstation 5, Xbox Series S/X, PC
Versão que jogamos:
Playstation 5
O jogo é dublado e legendado em Português.

Pontos Positivos

  • Exploração marítima continua sendo o grande ponto alto da experiência
  • Remoção dos momentos fora do Animus mantém a imersão constante
  • Funciona perfeitamente tanto para veteranos quanto para novatos na série
  • Visual muito bonito, com destaque para iluminação e clima

Pontos Negativos

  • Mecânica de uso das armas navais pode confundir no início
  • Controles de movimentação (andar, escalar, se esconder) seguem datados, herdando falhas do original
Review escrito por:
Danilo Manzato

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimos Reviews

Veja também