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Infinitevania e o carinho por um gênero que está saturado

Infinitevania - Review de Jogos
Simples, honesto e cheio de referências: Um jogo que sabe suas limitações e ainda assim conquista pelo carinho ao gênero
Disponível para:
PC
Review escrito por:
Danilo Manzato

Que metroidvanias saem a toda hora já não é nenhum segredo, e aqui mesmo no Review de Jogos acabamos fazendo análise de um punhado deles todos os anos. O grande problema de jogos que seguem uma fórmula à exaustão é que eles podem acabar sucumbindo à mediocridade e ao excesso de referências, perdendo assim sua originalidade.

Infinitevania, o primeiro projeto de um estúdio brasileiro, encontra-se exatamente nessa linha tênue: buscar originalidade e, ao mesmo tempo, honrar as referências que o formaram, sem virar apenas mais um jogo do gênero.

Uma carta de amor ao gênero (com direito a piscadela para Alucard)

Dito isso, Infinitevania é claramente um jogo feito por pessoas que amam o gênero metroidvania, pessoas que muito provavelmente cresceram jogando os clássicos do estilo e agora queriam fazer o próprio jogo como uma prova de amor.

Isso fica evidente logo nas diversas referências presentes nos cenários, incluindo um início idêntico ao de Symphony of the Night, um dos maiores e mais importantes ícones do gênero. E não param por aí: o jogo flerta com a quarta parede em diálogos que deixam a homenagem escancarada, como quando personagens erram o nome do protagonista, chamando-o de “Alucard”, e prontamente se corrigem.

História: simples, mas com um “porém”

A história de Infinitevania acompanha a jornada de um protagonista de longos cabelos azuis que recebe a notícia de que sua mãe, após muito tempo, finalmente saiu do coma. No entanto, ao sair de casa, ele é transportado para um mundo alternativo, onde encontra um ancião que parece ser o guardião daquele lugar. Segundo ele, só existe uma forma de retornar ao nosso mundo: destruindo o que está no centro de Infinitevania.

A partir daí, a jornada se resume a derrotar monstros, conquistar novos poderes e, enfim, destruir o núcleo para voltar para casa.

A premissa é simples e direta ao ponto, mas há algo que incomoda um pouco no roteiro: os momentos em que o jogo tenta quebrar a barreira do mundo ficcional, com o protagonista demonstrando ciência de que tudo ali é, de fato, um jogo. Como Infinitevania é, antes de tudo, uma grande prova de amor ao gênero, talvez fizesse mais sentido um roteiro que brincasse com as convenções do estilo, em vez de apostar em uma narrativa carregada pela urgência de voltar para casa. Isso não chega a atrapalhar a experiência, mas fica a sensação de que o jogo poderia ter seguido um caminho diferente e ainda mais coerente com sua proposta.

Gameplay: honesto, funcional e sem sustos

A gameplay de Infinitevania é simples e honesta, funcionando perfeitamente bem para a proposta do jogo e, dessa forma, muito parecida com a de uma centena de outros títulos do gênero.

Em um metroidvania, o que costuma importar de verdade é um bom mapa que faça o jogador subir e descer sempre sentindo um ritmo de progressão, e essa sensação está presente aqui, ainda que com uma ressalva importante. A principal diferença de Infinitevania para outros jogos do gênero, o que pode ser reflexo de uma equipe enxuta e das dificuldades naturais de se montar um jogo desse estilo, é que o mapa não é totalmente interligado.

São quatro cenários: o primeiro funciona como um HUB que conecta tudo, e os outros três são bem distintos entre si, trazendo visuais, desafios e inimigos únicos. Eles têm bom tamanho, caminhos secundários e um nível de dificuldade satisfatório, mas falta aquele sentimento clássico de um mapa totalmente interligado, onde uma porta ou passagem nos surpreende ao nos levar de volta a um local por onde já passamos, sem esperar.

O jogo ainda conta com teleporte entre pontos de save, o que agiliza bastante a locomoção entre os cenários. As barreiras clássicas do gênero, que exigem uma habilidade especial ou equipamento para prosseguir, também estão presentes, sem fugir do básico, como pulo duplo ou magias que quebram obstáculos.

Tudo em Infinitevania funciona exatamente como esperado. De um lado, isso significa que o jogo não traz nenhuma inovação a um gênero já bastante saturado; de outro, naquilo que se propõe a fazer, ele funciona muito bem.

Durante a exploração, também é possível encontrar itens que aumentam os pontos de mana, usados para magias , além de upgrades de HP e corações. Artefatos espalhados pelo mapa permitem equipar amuletos com benefícios variados, como aumento de velocidade, habilidades especiais e até indicação de colecionáveis no mapa, o que ajuda bastante quem busca completar o jogo 100%.

Visual e trilha sonora: dois pesos, duas medidas

O visual de Infinitevania aposta em um pixel art simples e bem saturado, o que facilita o entendimento na navegação pelos cenários e nos combates contra inimigos. Comparado a outros jogos do mesmo estilo, porém, ele deixa a desejar.

É compreensível que um projeto pequeno, feito por uma equipe enxuta, enfrente desafios técnicos e de tempo — e isso certamente aconteceu aqui. Ainda assim, fica o sentimento de que o visual poderia ser melhor, especialmente porque é o que acompanha o jogador o tempo todo. Vale reforçar que esse é um ponto subjetivo da análise: o visual, felizmente, não compromete em nada a experiência de jogo.

Já a trilha sonora é um dos grandes acertos de Infinitevania, com músicas muito boas tanto nas ambientações quanto nas batalhas. E vale destacar também a dublagem como um dos pontos fortes do jogo, contando com vozes já bem reconhecidas por aqui.

Veredito

Infinitevania aposta no simples, nas referências feitas com amor e nostalgia, e entrega um jogo redondo, que funciona e entende bem suas próprias limitações. Felizmente, não enrola: a campanha é curta e direta, com duração média de cerca de 6 horas na primeira jogatina.

Vale a pena conhecer esse primeiro trabalho do jovem estúdio brasileiro e que Infinitevania sirva de aprendizado para os infinitos trabalhos que ainda estão por vir.

Agradecemos os amigos da JHT Games que gentilmente nos enviaram uma cópia de Infinitevania de Steam para a criação do review.

Conheça também estes jogos

Infinitevania conta com 3 finais, sendo que o terceiro só irá acontecer completando 100% que o jogo exige em coletáveis e mapa.

Infinitevania e o carinho por um gênero que está saturado

Disponível para:
PC
Versão que jogamos:
PC
O jogo é dublado e legendado em Português.

Pontos Positivos

  • Referências carinhosas e bem construídas aos clássicos do gênero
  • Gameplay funcional e satisfatória, fiel às raízes do metroidvania
  • Dublagem de qualidade, com vozes reconhecidas
  • Campanha curta e direta, sem enrolação

Pontos Negativos

  • Visual simples que fica abaixo de outros jogos do mesmo estilo
  • Sem inovação em relação a outros metroidvanias do mercado
Review escrito por:
Danilo Manzato

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