Quando Resonance A Plague Tale Legacy foi anunciado, uma das coisas que mais me deixou curioso foi descobrir o que a Asobo Studio faria com a franquia depois da história de Amicia e Hugo. Eu esperava algo que seguisse mais de perto o caminho dos dois primeiros jogos, mas não foi exatamente isso que aconteceu.
Em vez de repetir a fórmula de A Plague Tale: Innocence e Requiem, Resonance decidiu apostar muito mais em ação, exploração e puzzles.
E, sendo bem sincero, funciona.
Resonance é um jogo extremamente divertido. Talvez essa seja a melhor forma de resumir minha experiência com ele. É muito fácil entrar no ritmo da aventura, principalmente porque sempre existe alguma coisa para fazer: explorar uma nova área, descobrir um caminho, resolver algum mecanismo ou simplesmente sair na porrada com os inimigos.
A estrutura me lembrou muito mais jogos como Tomb Raider e Uncharted do que os primeiros A Plague Tale. E é justamente aí que está o maior problema do jogo.

Uma história que não surpreende, mas prende
Resonance A Plague Tale Legacy volta quinze anos no tempo para contar a história de Sophia, antes de ela se tornar a personagem que conhecemos em A Plague Tale: Requiem.
Eu gostei bastante de conhecer esse lado da personagem. Aqui, Sophia ainda é uma garota tentando entender o que está acontecendo com a própria vida, principalmente por causa das visões que começam a levá-la em direção a uma ilha misteriosa.

O pai dela também entra nessa história e tenta descobrir o que existe por trás dessas visões. Só que, como já dá para imaginar, as coisas não acabam muito bem para ele.
Depois de perder o pai e descobrir que existe muito mais naquela ilha do que ela imaginava, Sophia segue sua jornada ao lado de Leni. As duas precisam lidar com os mistérios do lugar, enquanto Sophia também começa a descobrir coisas sobre a própria família de piratas que a criou.
E foi justamente essa parte mais pessoal que me manteve interessado.
Porque, se tem uma coisa que eu preciso deixar claro, é que a história de Resonance não vai me deixar de boca aberta.

É fácil prever várias coisas antes de o jogo realmente revelar o que está acontecendo. A história da Ilha do Minotauro, o passado de Sophia e toda a relação com a mitologia de Teseu não são exatamente novidades. Em vários momentos eu já tinha uma boa ideia de onde aquilo iria chegar.
Só que isso não me fez querer parar de jogar.
Eu queria descobrir como o jogo chegaria naquele ponto.
A própria ilha ajuda bastante nisso. Sempre existe algum mistério novo, uma visão diferente ou algum pedaço do passado de Sophia que faz você querer entender um pouco mais. As referências à civilização minoica e ao mito do Minotauro também dão uma identidade bem interessante aos cenários, principalmente quando o jogo começa a misturar o período medieval com essas lembranças do passado.
O problema, para mim, não está tanto na previsibilidade da história. Está no tom.
Em vários momentos eu simplesmente parei e pensei: “isso é realmente um A Plague Tale?”
Os dois primeiros jogos sempre trabalharam muito com a ideia de vulnerabilidade. Amicia e Hugo eram personagens que precisavam sobreviver usando fuga, improviso e estratégia. Existia uma sensação constante de que qualquer erro poderia acabar muito mal.
Aqui, Sophia é uma lutadora adulta e treinada.
Ela entra nas brigas de frente, com espada e adaga na mão, e não parece ter exatamente o mesmo problema que os protagonistas anteriores tinham ao enfrentar uma ameaça.
É uma mudança bem grande para a franquia. Em alguns momentos, eu realmente tive a sensação de estar jogando outra série que simplesmente está usando o universo de A Plague Tale.
Um combate gostoso, mas que poderia ter mais variedade
O combate é provavelmente uma das maiores mudanças de Resonance.
Sophia não precisa ficar fugindo dos inimigos. Ela pode enfrentá-los diretamente e possui várias ferramentas para isso. Temos espada, adaga e até um gancho, que serve tanto para ajudar na exploração quanto para atrapalhar os inimigos durante os confrontos.

Também existem esquivas que podem evoluir para um giro duplo, bloqueios, aparos e ataques leves e pesados.
E eu gostei bastante de lutar.
O combate é gostoso, principalmente quando você acerta o tempo de um aparo e consegue quebrar a guarda do inimigo para depois encaixar um golpe crítico. Quando tudo funciona certinho, dá aquela sensação boa de que você realmente aprendeu a jogar.
O problema é que essa sensação começa a diminuir depois de algumas horas.
A maioria dos confrontos segue praticamente a mesma fórmula: atacar, esperar uma abertura, aparar o golpe, quebrar a guarda e finalizar. Depois é só repetir tudo novamente.
O jogo até tenta colocar novos tipos de inimigos mais para frente, mas, para mim, isso acontece tarde demais. Quando eles aparecem, eu já estava bastante acostumado com a estrutura dos combates.
Não acho que o sistema seja ruim. Muito pelo contrário.
A base é boa. Eu só gostaria que o jogo tivesse aproveitado melhor esse sistema, colocando mais tipos de inimigos e situações diferentes para fazer você mudar de estratégia.

Os puzzles são um dos grandes destaques
Se tem uma coisa em que Resonance realmente me surpreendeu, foram os puzzles.
Eles ocupam um espaço muito maior na aventura do que nos jogos anteriores e combinam muito bem com essa nova proposta de exploração.

Boa parte dos puzzles gira em torno da esfera minoica que Sophia consegue no começo da aventura. Ela funciona como uma espécie de lanterna, permitindo revelar marcas escondidas em paredes e objetos, mas também serve para manipular feixes de luz coloridos.

Você precisa direcionar essas luzes para diferentes receptores, muitas vezes usando espelhos, mecanismos e estátuas espalhadas pelas ruínas.
E eu gostei bastante disso.
O melhor é que os puzzles não parecem estar ali só para aumentar a duração do jogo. Eles fazem parte da exploração. Resolver um deles pode abrir uma passagem, revelar uma tumba, liberar uma arma antiga ou simplesmente mostrar um caminho diferente.
Não são puzzles extremamente difíceis. Na maior parte do tempo, basta observar o cenário com um pouco de atenção e pensar no que o jogo está tentando mostrar.
Também existe um sistema de dicas para quem ficar preso.
Mesmo assim, algumas vezes eu realmente precisei parar e pensar por alguns segundos antes de entender o que precisava fazer.
E, para mim, isso já é uma vitória.
Um jogo muito bonito
Visualmente, Resonance é um jogo muito bonito.
A mudança de cenário também ajuda bastante. Depois de dois jogos ambientados em uma França medieval extremamente pesada, poder explorar uma ilha com praias, ruínas, vegetação e construções inspiradas na cultura minoica dá uma identidade visual completamente diferente para a série.
A ilha é bonita de explorar e existem vários momentos em que eu simplesmente parei para olhar o cenário.

Também gostei bastante da parte técnica. Pelo menos durante a minha experiência, o jogo rodou muito bem e não tive aquela sensação de estar diante de um jogo pesado demais para aquilo que estava entregando.
Mas não foi tudo perfeito.
Encontrei alguns bugs durante a campanha e alguns deles conseguiram quebrar completamente a imersão.
Teve um, inclusive, que aconteceu durante uma CG. Uma das animações simplesmente parou de funcionar e a personagem começou a ser arrastada pela cena como se fosse um PNG.
Foi tão absurdo que eu nem consegui ficar bravo.
Só consegui rir.
São problemas pontuais e não chegaram a estragar minha experiência, mas mostram que ainda existiam algumas coisas que poderiam ter recebido um pouco mais de polimento antes do lançamento.
Vale a pena?
Resonance: A Plague Tale Legacy está longe de ser perfeito, mas foi uma aventura que eu gostei muito de jogar.
A história prende mesmo sem ser surpreendente, os gráficos são bonitos, a exploração funciona muito bem e os puzzles acabaram sendo uma das minhas partes favoritas da experiência.
O combate também é gostoso, embora fique repetitivo depois de algumas horas e pudesse ter uma variedade maior de inimigos e situações.
Mas a minha maior ressalva continua sendo a mesma desde o começo: isso parece muito mais um Tomb Raider de espadinha do que um novo A Plague Tale.
E o mais curioso é que, apesar de eu considerar isso uma crítica, foi justamente essa mudança que fez Resonance funcionar tão bem para mim.
Eu não encontrei aqui exatamente o A Plague Tale que estava esperando.
Encontrei um jogo de aventura extremamente divertido, com uma boa exploração, puzzles legais e uma história que me fez continuar jogando até o fim.
Ele não é exatamente o A Plague Tale que eu esperava. É apenas um jogo muito divertido que, por acaso, se passa nesse universo.













