Mortal Shell 2 é uma ótima sequência de seu primeiro jogo, ou podemos até dizer que é um ótimo standalone, pois poucas coisas são aproveitadas do primeiro com relevância, provavelmente mais a base do mundo do que a jogabilidade. A maior familiaridade que podemos ter nesse quesito é no tutorial. Depois, o jogo se mostra muito maior do que o primeiro pode ser, trazendo um vasto mundo totalmente conectado e separado em duas grandes partes, com o triplo de armas, carcaças e builds, ou até mesmo chefes!

Um começo com uma grande liberdade
Mortal Shell 2 me impressiona com a liberdade que dá ao jogador desde o primeiro momento de seu tutorial. Para quem gosta de explorar cada canto, ele te recompensa com vários itens e armas, e pra quem não quer ficar travado em um chefe de mundo, pode simplesmente ignorar e realizar outra coisa no mapa sem nenhuma penalidade. Nada de porta que te obriga a completar aquele desafio, claro, nem sempre será assim, pois alguns serão obrigatórios, porém essa liberdade é muito boa, pois dá ao jogador a chance de primeiro fazer uma build que lhe agrada e depois curtir o jogo no ritmo que lhe convém.
Muito disso vem por causa das carcaças que estão espalhadas pelo mapa, cada uma com seu estilo de luta bem peculiar. Para saber o que cada uma faz, primeiro devemos obtê-las, então a vontade de ir buscá-las e depois curtir o jogo é muito grande, e essa liberdade vem muito a calhar nesse tipo de jogo que traz essas mecânicas.
História principal fraca, porém o mundo tem sua própria história
O jogo possui sua própria história principal, que devo admitir que é muito básica, nem me lembro do que acontece nela. Porém, o que o jogo nos incentiva é a querer entender a história de cada carcaça, pois cada uma tem sua história bem singular e seus motivos mais hediondos, onde modificou uma parte daquele mundo em questão de lugar ou até mesmo nos chefes que iremos enfrentar.

Isso é bem legal, pois faz com que o jogador tenha a vontade de saber mais da carcaça favorita que está usando, sobre o que aquilo representa ou por que seu personagem é assim, fazendo com que as interações com certos NPCs mudem por ter visto o passado de certos deles. O mundo também passa essa história com vários biomas diferentes e lugares moldados para o encontro final com os chefes.
Gameplay fluida e simples é pilar do combate
Para mim, o maior trunfo dessa sequência vem no combate corpo a corpo, com as carcaças, ou mesmo no combate a distância. O jogo, desde seu tutorial, traz a mecânica de parry muito mais facilitada do que seu antecessor, que tinha uma mecânica única onde o jogador deveria esperar o selo brilhar para poder ativar o parry. Já neste jogo, o parry é feito por selos ainda, porém como na maioria dos jogos que usam essa mecânica, como Sekiro ou parecidos, fazendo assim uma mecânica simples de ser aprendida onde a recompensa é gratificante.

Com um peso em cada parry bem-sucedido, o jogador causa dano na barra de estrutura do inimigo, mais uma vez semelhante a Sekiro. Quando essa barra se enche, você pode desferir um ataque bem forte, com uma animação bem bonita e violenta em seu inimigo, fazendo com que o jogador tenha o incentivo de continuar usando essa mecânica para dar mais dano em seus inimigos e também ter a recompensa dessa maior violência.
O jogo ainda incentiva qualquer estilo que o jogador goste mais de utilizar, dando a eles cada selo para uma ocasião que lhes convém mais. Por exemplo, um selo em que a janela de parry fica bem menor, porém a recompensa, como o dano na barra de stun do inimigo, fica bem maior; ou mesmo um em que você não pode rolar, mas recebe bem menos dano, e assim por diante. Isso, junto com as habilidades das carcaças, faz com que as builds fiquem bem divertidas e únicas, com isso cada amigo que jogou fez um caminho totalmente diferente, sem ter que pesquisar na internet e sim só jogando casualmente, o que traz uma identidade única para o jogo.
Mundo rico, porém repetição de inimigos cansa
Como falado, o mundo do jogo é muito interessante de explorar, e cada lugar tem seus inimigos únicos ao menos nas áreas iniciais, o que faz com que o mundo fique rico. Cada inimigo tem uma animação diferente quando os stunamos, porém isso cansa quando em mapas mais avançados na história vemos o mesmo inimigo com uma cor diferente ou sendo transformado em mini boss ou vice-versa, fazendo com que a repetição do combate e da recompensa se torne chata e fácil, pois o jogador sabe exatamente quais são os pontos fracos de cada inimigo e como deve agir em cada situação, perdendo aquele ponto alto que era no começo do jogo, onde tudo era novo.
Claro que a maioria dos jogos souls usa esse tipo de mecânica de repetição de inimigos, porém o incentivo de explorar mais o mundo vai ficando cansativo, pois parece que faltou tempo de fazer algo melhor enquanto certas áreas possuem um capricho muito maior, onde os inimigos e o mundo passam essa sensação de coisa nova mesmo nos lugares mais avançados no jogo.
Escolhas e mais escolhas, porém o básico quebra o jogo
Que maravilha um jogo te dar escolhas, como foi citado anteriormente trazendo a liberdade de exploração e a construção da build. Que maravilha tantas armas tão distintas e bonitas, com movesets tão únicos! Porém, do que adianta tantas coisas se o item inicial te dá uma vontade tão grande, juntamente com as relíquias iniciais?
Um dos grandes pilares de cansaço do jogo não vem só do mesmo moveset, e sim de como um jogo que te dá tanta vontade de explorar várias coisas, como mundo e poderes, falha demais no quesito armas. As armas iniciais são tão balanceadas e boas que, quando o jogador descobre uma legal que combina com o tipo de gameplay dele, o moveset da arma nova parece inferior ao da base, ele não vai ter o incentivo de querer ver uma arma nova, pois a que ele está usando quebra tão facilmente o jogo que “time que está ganhando não se mexe”.
Por exemplo, nas armas, o jogador pode pôr pedras que dão habilidades únicas a ela, tem uma em que você dá uma espadada e salta, ficando invulnerável, e cai stunando quase todos os inimigos do jogo, inclusive chefes.

Essa pedra você encontra facilmente no começo do jogo. Então, com o jogador tendo esses recursos e melhorando cada vez mais a arma, perde-se a vontade de ver outras armas e builds, ficando assim esse peso também para as carcaças, que, sim, têm uma variedade muito boa de poderes, porém possuem claramente um desbalanceamento, assim como nas armas, tem carcaças que possuem 2 habilidades em área enquanto outras só uma, e sem graça, fazendo com que, outra vez, o jogador perca a vontade de se aventurar em construir builds bem diferentes e inusitáveis.
O jogo sofre com esse desbalanceamento até o final, fazendo com que a punição para o erro ou o aprendizado seja descartada, pois mesmo perdendo a carcaça, o jogador ainda continua com as habilidades da arma. Espero que futuramente a empresa consiga balancear e mostrar o que o jogo tem muito a oferecer.
Otimização e ótimos gráficos por um preço justo
Mortal Shell 2 conquista o jogador por seu visual, que traz um mundo decadente, porém ainda com cores e beleza mesmo na decadência. A violência tem uma arte fantástica, fazendo com que a exploração sempre fique em primeiro lugar. Isso tudo é acompanhado de uma ótima otimização em todas as plataformas, principalmente no PC, onde o jogo entrega bastante qualidade sem pedir um PC potente.
E o melhor: o valor do jogo, que se encontra por 160 reais na Steam, faz dele um ótimo chamariz para novos jogadores. Realmente parece que a produtora pegou esse jogo para começar do zero essa franquia, e me parece que estão com bastante dedicação para começar a trabalhar em atualizações futuras e dar uma vida longa a esse título, tornando-o sólido, sem esses problemas citados anteriormente.
Considerações finais
Mortal Shell 2 é um jogo sólido para quem quer começar a descobrir o gênero souls, e também é um jogo que não depende de seu antecessor para ser apreciado, fazendo com que a simplicidade dos combates e a exploração do mundo o tornem uma ótima aventura tanto para um novo jogador quanto para veteranos desse gênero. Recomendo demais o jogo, e se tiver dúvida, está disponível o beta para consoles e PC, onde você pode explorar a primeira parte do jogo e descobrir se ele é pra você.

Mortal Shell 2 está disponível para PlayStation 5, Xbox Series e PCs.
Agradecemos os amigos da Playstack e da Cold Symmetry que gentilmente nos enviaram uma cópia da versão de STEAM para a criação deste review.












