Eu realmente queria ter gostado de Fading Echo. Queria mesmo. Por tudo que ele parecia ser, um jogo de plataforma cheio de ação, com muito estilo e uma dublagem em português impecável. Entrei nessa expectativa na torcida para ser surpreendido. Mas, no fim das contas, Fading Echo falhou justamente no ponto mais importante para conquistar quem joga: o próprio gameplay, que se mostrou repetitivo e confuso.
Uma premissa e tanto
Em Fading Echo controlamos ONE, uma garota de espírito jovem e cheio de energia que está em um deserto na companhia de sua mãe. Depois de se separarem por um breve momento, ela nota uma anomalia chamada de “bug” e acaba caindo em uma entrada para uma espécie de outra dimensão.
Nesse local, o corpo de ONE ganha a capacidade de se transformar em uma orbe líquida com propriedades de água, podendo alternar entre sua forma humana e essa forma fluida a qualquer momento. Sem entender muito bem o que está acontecendo, ela busca uma saída até que sua mãe surge em uma forma de fogo e a resgata, levando-a de volta para o plano em que viviam.

Não há muitas explicações nesse início. Sabemos apenas que estamos em COREL, e que a mãe de ONE está muito debilitada. Uma espécie de inteligência artificial então revela que, para ajudar ONE, sua mãe e até mesmo a própria existência deste local, será necessária a ajuda da garota e de seus poderes fluidos para liberar os canais de Ether e fazer com que COREL volte a funcionar como no passado.
O problema é que esse mundo pode ser completamente tomado por uma corrupção que corrói tudo e transforma monstros por todos os cantos, então ONE precisa agir depressa se quiser salvar tudo e todos. E mesmo com essa urgência toda, a jovem ainda carrega várias dúvidas sobre o motivo pelo qual possui esses poderes mas sua mãe promete revelar tudo assim que estiver bem, deixando um gancho narrativo interessante para o resto da jornada.

É, sem dúvida, uma premissa bem interessante e a forma como ela é contada ajuda bastante. Fading Echo usa takes que lembram chamadas de HQ para narrar seus momentos chave, o que traz uma jovialidade muito bacana ao jogo, brincando com a direção de arte proposta e com a personalidade irradiante de ONE.
E aqui não dá pra deixar de destacar: a dublagem de Fading Echo é impecável. O jogo conta com Carol Valença e Guilherme Briggs no elenco, dois ícones e verdadeiras estrelas da dublagem brasileira. É o tipo de cuidado com o público nacional que a gente ama ver em um jogo.
Quando a mecânica esbarra na execução
Todo esse carinho que vemos na criação do universo de Fading Echo e no tratamento dado ao público brasileiro, infelizmente, esbarra na hora de partir para o gameplay.
A ideia por trás da mecânica é muito boa. Em sua forma humana, ONE pode atacar, saltar e se locomover normalmente. Já na forma fluida vem uma das principais características do jogo: como ela pode se transformar em líquido a qualquer momento, a princípio ela vira um orbe de água, que permite saltar e causar uma pequena explosão aquática.

O detalhe interessante é que, se ONE passar por cima de outros líquidos, a orbe absorve um pouco daqueles elementos. Passando por um líquido tóxico, por exemplo, a orbe fica verde e passa a envenenar oponentes. Já ao passar por cima de lava, o líquido evapora e ONE consegue voar por um curto período em forma de fumaça. Da mesma forma, usar a bomba de água contra um inimigo vulnerável a líquidos pode deixá-lo congelado.

No papel, essa mecânica de experimentar elementos para atacar inimigos e explorar o mapa é muito legal. Na prática, porém, ela não funciona tão bem assim. É confuso entender quais inimigos realmente vão congelar ou quais vão “se apagar” com determinado elemento. No geral, os inimigos são sempre da mesma variedade, apenas mudando de cor para indicar se são neutros, de fogo ou tóxicos, o que torna as batalhas mais confusas e repetitivas do que deveriam.
Os poderes das orbes, no fim das contas, servem principalmente para explorarmos os cenários e avançarmos pelos caminhos até encontrar as fontes de Ether e religá-las. E aqui Fading Echo até acerta em uma boa mescla de plataforma e puzzle, exigindo raciocínio na hora de descobrir como chegar a determinado local ou resolver os enigmas, a maioria deles envolvendo carregar objetos com limitações de transporte, como não conseguir passar por grades ou não poder carregar certos itens dependendo do elemento da orbe.

O maior problema: um level design que não guia ninguém
Ao ativar uma fonte de Ether, uma grande corrente nos leva de volta à base inicial do jogo, e assim seguimos em busca da próxima fonte. E é justamente aqui que mora, para mim, o principal problema de Fading Echo.
Os mapas são muito confusos e não contam com nenhum tipo de auxílio à localização. O resultado é passar horas andando, muitas vezes em círculos, sem entender direito se já se passou por ali antes, se deveria voltar, ou para onde ir em seguida. Fading Echo simplesmente não dá indício algum ao jogador.

Pior ainda: depois de ativarmos uma corrente de Ether, voltamos automaticamente para a área inicial, mesmo quando ainda restam duas ou três correntes para ativar naquela mesma região e o jogo não avisa que era pra gente continuar por ali. Isso me fez perder um bom tempo simplesmente por não entender por que, mesmo já tendo ativado três correntes na área inicial, eu não conseguia encontrar de jeito nenhum o caminho para a última que faltava. Só depois de voltar a um local onde já havia liberado uma corrente anterior é que percebi que era possível seguir em outro caminho por ali.
Entendo a proposta de dar liberdade de escolha ao jogador, deixando-o decidir para onde ir e por onde seguir. Mas esse tipo de liberdade só funciona quando o próprio cenário ou a gameplay guiam de forma orgânica, o que não é o caso aqui. Sem mapas, sem indicativos, com inimigos e cenários visualmente repetitivos, Fading Echo acaba se tornando cansativo em sua execução, sem entregar nenhum estímulo nem sensação real de progressão.
Gosto bastante de jogos que deixam a exploração livre, sem pegar na mão do jogador o tempo todo. Mas ficar naquele vai-e-vem, “vá até ali, não, espera, ainda precisa continuar aqui”, sem nunca mostrar, indicar ou dizer absolutamente nada, só traz frustração.
Vale a pena jogar Fading Echo?
Vejo um potencial muito bom em Fading Echo, na mecânica de fluidos, na história e, principalmente, na excelente dublagem do jogo. Mas quando tudo isso se junta ao gameplay dentro de mapas confusos, batalhas repetitivas e um vai-e-vem cansativo, procurando por algo que nem sabemos bem o que é, Fading Echo infelizmente não entrega tudo aquilo que poderia entregar.

Fica a sensação de um jogo que teve tudo para ser especial, mas tropeçou justamente na parte que deveria unir todas as suas boas ideias.
Fading Echo está disponível para PC via Steam no momento de seu lançamento, mas versões de PlayStation 5 e Xbox Series estão previstas ainda para 2026.
Agradecemos os amigos da CriticalLeap pelo envio de uma cópia de Fading Echo para a criação deste review.












