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Realm of Ink: O Roguelike que Vai Além da Cópia

Realm of Ink - Review de Jogos
O roguelike oriental que prova que inspiração e qualidade podem andar juntas
Disponível para:
Playstation 5, Xbox Series S/X, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PC
Review escrito por:
Danilo Manzato

Se você acompanha o mercado de jogos independentes, já sabe como funciona o jogo: um título explode em popularidade, e em questão de meses o mercado é inundado de cópias mal executadas tentando pegar uma fatia desse sucesso. Em 2026, isso já não é segredo pra ninguém. A quantidade de jogos mediocres lançados mês a mês tentando repetir fórmulas de sucesso é tão grande que, sendo bem sincero, a maioria passa direto aqui pelo radar sem merecer muito de nossa atenção.

Realm of Ink poderia facilmente ser mais um nessa fila. Afinal, sua inspiração em HADES é clara, assumida e não tenta se esconder. Mas aí está a surpresa: quando a fórmula é replicada com cuidado e personalidade, o resultado pode surpreender e é exatamente o que acontece aqui.

Um Universo Diferente, Uma Nova Jornada

A principal virada de chave de Realm of Ink em relação ao seu maior inspirador é a ambientação. Enquanto HADES mergulhava fundo na mitologia grega, Realm of Ink aposta no universo fantástico oriental e essa escolha sozinha já garante uma identidade visual e narrativa bem distinta.

A protagonista é Danzhu, uma guerreira que descobre sua vida inteira presa nas páginas de um livro, com seu destino já escrito e selado. Cansada de ser apenas um personagem de uma história que ela não escolheu, Danzhu parte em busca da liberdade que sempre desejou. É uma premissa simples, mas que funciona bem dentro do contexto do gênero e dá propósito a cada tentativa de avanço.

Jogabilidade: Familiar, Mas Com Suas Próprias Regras

O loop central de Realm of Ink vai soar familiar pra quem já jogou qualquer roguelike moderno: você inicia uma nova jornada, enfrenta hordas de inimigos de sala em sala e, a cada vitória, recebe uma recompensa, podendo ser uma nova habilidade, um movimento diferente ou dinheiro para compras ao longo do caminho. A aleatoriedade das recompensas garante que cada run tenha seu próprio sabor.

Para completar uma partida de forma vitoriosa, o jogador precisa atravessar 6 reinos, cada um com 2 chefes para derrotar. A ordem em que esses reinos aparecem é aleatória, o que mantém a experiência imprevisível mesmo depois de várias tentativas. Ao longo do caminho, há momentos para dar upgrade em habilidades, comprar melhorias temporárias e interagir com NPCs que contribuem para o desenvolvimento da história.

A Morte Como Recomeço

Quando a jornada termina antes da hora, algo que vai acontecer bastante, principalmente no início, Danzhu não encontra o fim, mas sim uma hospedaria repleta de personagens peculiares.

É nesse hub que a magia do roguelike se consolida: aqui você usa pontos de experiência para melhorias permanentes, cuida do seu mascote, revisa o histórico das tentativas anteriores e define a dificuldade da próxima run. E quanto maior a dificuldade escolhida, maiores as recompensas, uma escolha que adiciona uma camada interessante de risco e estratégia.

O Grande Diferencial: Os Estilos de Danzhu

Se tem uma mecânica em Realm of Ink que merece destaque especial, é a possibilidade de alterar o visual de Danzhu e isso vai muito além de uma simples mudança estética. Cada estilo desbloqueado representa uma forma completamente diferente de jogar, alterando radicalmente a maneira como você ataca e se movimenta pelos mapas.

E o melhor: esses estilos são desbloqueados de forma natural à medida que você avança no jogo e derrota chefes, sem necessidade de grinds forçados ou sistemas externos. Quanto mais você joga, mais possibilidades surgem, o que aumenta exponencialmente a variedade de gameplay e permite que cada jogador encontre o estilo que melhor se adapta à sua forma de jogar.

Realm of Ink é a fórmula certa nas mãos certas

Realm of Ink é, sem sombra de dúvida, um dos destaques dentro do gênero roguelike, especialmente entre os títulos que bebem diretamente da fonte de HADES. Não estamos diante de uma cópia sem alma ou de mais um jogo que só existe para tentar lucrar com o sucesso alheio.

O jogo tem personalidade. Tem jogabilidade satisfatória e responsiva. Tem um sistema de estilos de personagem que é, na nossa opinião, a sua maior sacada criativa. E tem aquele gostinho irresistível de “vale a pena mais uma tentativa” que todo bom roguelike precisa ter.

Pode ser que Realm of Ink tenha se inspirado profundamente em sua referência. Mas ele soube usar essa inspiração como ponto de partida, não como destino final. É um jogo que veio para somar ao gênero, para ser uma opção de qualidade em um mercado cada vez mais saturado. E isso, por si só, já merece reconhecimento.

Realm of Ink entrega exatamente o que promete: um roguelike sólido, com personalidade visual marcante, mecânicas satisfatórias e variedade suficiente para prender o jogador por muitas horas. Perde um pouco por não ousar mais além da fórmula estabelecida, mas compensa com execução de qualidade.

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Sem Spoilers para Realm of Ink

Realm of Ink: O Roguelike que Vai Além da Cópia

Disponível para:
Playstation 5, Xbox Series S/X, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PC
Versão que jogamos:
Playstation 5
O jogo possui legendas em Português mas não é dublado.

Pontos Positivos

  • Sistema de estilos de Danzhu altera radicalmente o gameplay, aumentando a variedade
  • Progressão natural de desbloqueios que incentiva continuar jogando
  • Aquela sensação de “mais uma tentativa” bem executada

Pontos Negativos

  • A inspiração em HADES é evidente demais em alguns aspectos da estrutura
  • Jogadores menos familiarizados com o gênero podem achar a curva de aprendizado inicial íngreme
Review escrito por:
Danilo Manzato

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