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Review de Beast of Reincarnation: Grande potencial mas com execução falha

Beast of Reincarnation - Review de Jogos
A Game Freak tenta se reinventar fora de Pokémon trazendo um gameplay que até funciona mas cansa cedo demais
Disponível para:
Playstation 5, Xbox Series S/X, PC
Review escrito por:
Danilo Manzato

Poucas vezes um anúncio gerou tanto espanto quanto o de Beast of Reincarnation. Nos trailers, um mundo bonito, sombrio e cheio de personalidade, só que produzido pela Game Freak, estúdio que carrega uma fama nada favorável quando o assunto é qualidade e esmero, já que é o responsável pela franquia Pokémon. E aqui cabe uma confissão pessoal: nunca fui fã da série dos bichinhos de bolso.

Mesmo assim, Beast of Reincarnation despertou uma curiosidade genuína. Afinal, como a Game Freak se sairia longe do universo de capturar criaturas, numa aventura que prometia um mundo pós-apocalíptico ao lado de um grande lobo branco? A resposta, depois de quase 50 horas de jogo (platina incluída), é tão interessante quanto frustrante.

Uma mistura entre Sekiro e Nier: Automata

De início, não é fácil definir exatamente o que é Beast of Reincarnation, ainda mais numa época em que os jogos de ação tendem a se parecer demais entre si. Mas a Game Freak encontrou um equilíbrio curioso: o combate bebe fortemente da fonte de Sekiro, enquanto a exploração de cenários, a movimentação dos personagens e até a trilha sonora remetem diretamente a Nier: Automata.

Longe de ser um problema, essa combinação de referências tão fortes acabou funcionando a favor do jogo, dando a Beast of Reincarnation uma identidade própria.

A história de Emma, Ko e a maldição da pestilência

Em Beast of Reincarnation, controlamos Emma, uma mulher amaldiçoada pela chamada “pestilência”. A condição a mantém isolada das colônias humanas, ninguém a quer por perto, mesmo que todos dependam dela, já que apenas os pestilentos são capazes de enfrentar os monstros que essa praga cria a partir de animais comuns.

Emma não se lembra do próprio passado, nem de como surgiu nesse mundo. Seu isolamento a deixa com apenas duas companhias: Violet, um espírito que só ela consegue ver e ouvir, e Ko, um lobo com quem mantém uma ligação profunda (o nome original, “Koo”, foi adaptado no Brasil por questões de duplo sentido fonético).

A jornada ganha corpo quando a cidade vizinha que recompensava Emma com comida em troca de proteção contra monstros invasores recebe uma convocação onde a protagonista deve seguir para uma missão maior: viajar até a Capital e destruir a Fera da Reencarnação, uma besta pestilenta antiga e poderosa que retorna periodicamente. Sem muitas opções, Emma e Ko se juntam a Brad, um homem misterioso que promete guiá-los por um Japão pós-apocalíptico ambientado no ano de 4026.

Exploração livre, mas pouco recompensadora

O mundo de Beast of Reincarnation é dividido em mapas que funcionam como as fases do jogo, todos com exploração livre. É possível seguir direto ao objetivo de cada área ou perder tempo caçando recursos, armas e combates extras para chegar mais forte aos desafios seguintes.

E é aqui que o jogo começa a mostrar as rachaduras. O sistema de combate até é interessante, fortemente inspirado em Sekiro, recompensando quem domina a técnica do Parry e pune quem tenta apenas atacar sem parar. A exploração, por sua vez, também tem seus méritos. O problema é que nada, de fato, recompensa esse esforço.

Há uma quantidade grande de mecânicas pouco interessantes e um volume generoso de loot que, no fim das contas, não muda muita coisa. Emma conta com golpes de espada, além de besta e arco e flecha para ataques à distância, mas apesar da variedade de espadas disponíveis, todas compartilham o mesmo moveset. Mesmo com status diferentes entre si, a sensação de impacto real na jogabilidade simplesmente não aparece.

O grande vilão: a repetição

Se existe uma palavra que resume os problemas de Beast of Reincarnation, essa palavra é repetição. Os inimigos comuns do capítulo 1 são, essencialmente, os mesmos do capítulo final, sem mudanças de movimentação, apenas ajustes artificiais de dano e resistência para simular uma dificuldade crescente que, na prática, não existe.

O problema se repete (e se agrava) nos chefes. Cada mapa apresenta uma grande fera como o principal antagonista daquela região, mas o jogador enfrenta exatamente a mesma movimentação em todos os encontros até a batalha decisiva. E quando essa batalha final chega, a “segunda forma” do chefe raramente muda algo relevante e no máximo acrescenta um ou dois golpes extras dentro da mesma sequência já conhecida.

Como o parry é a peça central do combate (fortalecendo Emma e liberando movimentos especiais de Ko), a curva de dificuldade praticamente desaparece assim que o jogador memoriza os dois ou três padrões de ataque de cada chefe. O resultado é uma jornada que começa a cansar cedo demais, muito antes das 20 horas que a campanha principal exige, ignorando boa parte da exploração.

Vale destacar: o problema não está na quantidade de tipos de inimigos. A série Horizon, por exemplo, também trabalha com um elenco relativamente enxuto de criaturas, mas cada uma delas é tão única, e oferece tantas abordagens diferentes de combate, que o cansaço demora muito mais para aparecer. Em Beast of Reincarnation, a falta de novidade se instala cedo.

Para piorar, chefes de áreas anteriores voltam a aparecer em mapas seguintes, tirando até a sensação básica de que cada fase teria seu próprio confronto único. Em determinado ponto da campanha, um antigo chefe passa a ser tratado como inimigo comum do cenário, mantendo, claro, os mesmos movimentos e ataques de sempre.

Visual inconsistente e cenários repetitivos

Visualmente, Beast of Reincarnation é irregular. Existem momentos genuinamente bonitos, mas também trechos em que a falta de polimento é evidente trazendo texturas simples e detalhes de cenário que remetem a uma geração de consoles anteriores.

Os cenários também sofrem do mesmo mal do resto do jogo: mais da metade das áreas visitadas são cidades dominadas por florestas e matas, o que enfraquece a sensação de estar cruzando um país inteiro. A passagem das estações do ano é praticamente o único indício real de que o tempo (e a distância) está avançando, já que visualmente muitas áreas parecem apenas variações do mesmo lugar.

Até o tamanho dos mapas parece encolher conforme a campanha avança, um detalhe que reforça ainda mais a sensação de um jogo que perde fôlego ao longo do caminho.

Evolução de personagem que soa dispensável

A cada chefe derrotado, Emma e Ko ganham pontos de habilidade em uma árvore bastante ampla, dividida entre poderes especiais ligados aos chefes vencidos e melhorias próprias de personagem, como ataque e movimentação.

Só que essa árvore acaba soando inflada: o custo de pontos para evoluir é exagerado, e a diferença prática de muitas melhorias é difícil de sentir. Essa falta de necessidade de evolução tem uma raiz clara, sem inimigos novos ou desafiadores, dominar o timing do Parry e do contra-ataque já é suficiente para vencer qualquer coisa, independentemente de quantas habilidades novas o jogador desbloqueia.

É frustrante dizer isso, porque o sistema de combate de Beast of Reincarnation é, na essência, gostoso de jogar. O problema é que ele permanece praticamente idêntico da primeira à última hora de campanha.

Vale a pena jogar Beast of Reincarnation?

No fim, a experiência com Beast of Reincarnation é cheia de altos e baixos, o jogo consegue ser bom e ruim quase na mesma intensidade. A gameplay é satisfatória em diversos momentos, mas frustra justamente por não inovar em desafio, variedade de inimigos, ataques e, principalmente, chefes.

A história consegue prender a curiosidade o suficiente para levar a maioria dos jogadores até o final e é provavelmente o principal motivo para continuar jogando. Mas fica o gosto amargo de um jogo que falhou exatamente onde não deveria: na evolução da experiência ao longo de uma campanha de dezenas de horas.

Vale registrar: desde o lançamento, a Game Freak já se pronunciou prometendo alterações em diversos aspectos do jogo, incluindo a história. Ainda não há detalhes sobre o que muda, se novos inimigos serão adicionados, ou como será, de fato, essa nova experiência.

Como quem já concluiu o jogo por completo (platina inclusa, o que já mostra que a jogabilidade realmente me conquistou), fica a sensação de um potencial enorme desperdiçado na mediocridade. Se você tem interesse em conferir Beast of Reincarnation, talvez a decisão mais sensata seja esperar um pouco mais, até que as mudanças prometidas pela Game Freak sejam de fato concretizadas.

Beast of Reicarnation está disponível para PlayStation 5, Xbox Series, incluido na assinatura do Game Pass no momento da publicação deste review, e PCs via Steam.

Agradecemos os amigos da Fictions que gentilmente nos enviaram uma cópia de Beast of Reicarnation de PlayStation 5 para a criação deste review.

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Sem spoilers relevantes para Beast of Reincarnation.

Review de Beast of Reincarnation: Grande potencial mas com execução falha

Disponível para:

Playstation 5, Xbox Series S/X, PC

Versão do jogo que jogamos:

Playstation 5
O jogo possui legendas em Português mas não é dublado.

Pontos Positivos

  • Sistema de combate baseado em Parry é satisfatório de se jogar
  • História e mistério em torno de Emma despertam curiosidade

Pontos Negativos

  • Inimigos comuns extremamente repetitivos do início ao fim da campanha
  • Chefes reaproveitados entre mapas, incluindo um que vira inimigo comum
  • Árvore de habilidades inflada e pouco recompensadora
  • Visual inconsistente, com cenários repetitivos (cidades tomadas por floresta)
Review escrito por:
Danilo Manzato

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