A CAMPANHA EXISTE. O PROBLEMA É ELA EXISTIR ASSIM
Marvel Tōkon conta com um modo de capítulos, onde cada história mostra um grupo diferente de heróis ou vilões lutando contra o grande inimigo do jogo, o Campeão do Universo. Ele funciona como uma figura central para os acontecimentos da trama, servindo como uma espécie de Host em um programa tipo Round 6 espacial.

Com algumas revelações na campanha do Dr. Doom, podemos ver como tudo se estrutura em um looping da série What If da Marvel, algo feito para não ser levado tão a sério, ao mesmo tempo que tenta fazer comédia em cada segundo de tela. Existe de fato um problema no ar mais cômico e satírico que a Marvel vem construindo como padrão em suas obras nos últimos anos? Não! Mas é ridículo ver a luta de um dos Anciões do Universo contra o Homem-Aranha só para ver ele depois ir comer bolo na casa da tia May. Ah, isso é de fato.
O grande problema aqui nem seria a falta de “comprometimento” com os acontecimentos, se formos levar tudo como um “E se o planeta Terra entrasse em um show para não ser destruído e os heróis e vilões tivessem que defender a Terra?”. O maior problema é que a campanha deixa o jogo bobo, pelo menos se você jogar apenas isso.
Então temos 5 histórias, de 5 grupos de heróis e vilões que defendem a Terra desse mega dominador sádico. As cutscenes, nos momentos que mostram esse programa espacial, são de fato muito boas, lindas e com uma dublagem e trilha sonora dignas de cinema, mas são poucas. Em tudo que faz contexto à particularidade dos acontecimentos de cada grupo, temos uma história narrada como se estivéssemos vendo alguém ler um quadrinho. Ou seja, o trabalho de fato original em cada campanha fica sendo algumas imagens estáticas com uma dublagem oficial Marvel. Ruim? Não! Mas muito menos do que poderia ser.

TÁ, MAS ONDE TŌKON REALMENTE BRILHA?
A Arc System Works realmente nos trouxe uma baita experiência em jogo de luta aqui. O combate TAG 4V4 já viu inúmeras vertentes nesses anos, mas o dinamismo de Tōkon surpreende logo no início.

Temos aqui um combate que casa perfeitamente com os fãs novatos em jogos de luta, assim como com aqueles mais hardcore, com anos de bagagem. No game, temos mecânicas de combos rápidos onde o novato pode fazer sequências bem bonitas e mirabolantes com pouco esforço. Mas, do outro lado, podemos ver como o teto vai muito além do imaginável: combos e mais combos são possíveis para quem se dedicar aqui!
POR QUE ESSE COMBATE FUNCIONA TÃO BEM?
Aqui seguimos com uma mecânica bem interessante chamada “AÇÃO ÚNICA”, que é um movimento específico para cada personagem usando o botão de ombro L1.

Esse movimento, com o Homem-Aranha, permite se mover com a teia durante a luta e usá-la no ataque. Já com a Tempestade, podemos usar rajadas de vento para jogar nossas magias e nós mesmos na ação.
Algo que o jogo soube fazer com maestria, já que cada personagem cria sua camada de complexidade única para desvendar e aprimorar. Temos uma nítida oportunidade para campeonatos e uma vida útil bem longa.
TEM CONTEÚDO OFFLINE. MAS SERÁ QUE É SUFICIENTE?
Como um todo, Marvel Tōkon não se preocupa muito com quem quer ter apenas uma experiência offline. Temos aqui outros modos de luta, um sendo uma ramificação da campanha com alterações durante o percurso, bem semelhante às torres do MK. E mais um modo um pouco mais casual para não passar tanta raiva em um jogo tão punitivo quanto esse.

Temos também um modo VS, onde você pode fazer lutas com seus amigos no sofá ou então jogar contra a IA em diferentes dificuldades. Existe até mesmo um modo arena com personagens mais fofinhos e cabeçudos no estilo Funko Pop, que pode ser uma distração válida para quando queremos algo mais leve. O destaque aqui realmente fica para seus combates. Mesmo com alguns modos de jogo, ainda temos muitos pontos positivos para falar da movimentação, golpes e mecânicas. Mas sim! Faltam experiências mais profundas, outras “Torres” com animações únicas e possibilidades novas.
TŌKON QUER VOCÊ NO ONLINE
Marvel Tōkon tem de fato seu apelo nas competições acirradas e marcantes, com reviravoltas de último segundo. Esse cenário é um prato cheio para os competidores do mundo todo. Temos aqui uma experiência maravilhosa para quem realmente quer se dedicar aos comandos. E, mesmo achando que temos poucos personagens, apenas 20 no lançamento, eu acredito que dominar algum para se garantir nas partidas vai levar um tempo.
Então fica claro o aviso aqui: Marvel Tōkon realmente é um jogo com proposta Competitiva Online!

O VELHO PROBLEMA DOS JOGOS COMO SERVIÇO
A falta de conteúdo dos jogos lançados recentemente me chama muito a atenção!
Sempre que vejo um jogo com esse apelo ao Multiplayer, me vem logo na cabeça o modelo por serviço, e temos grandes sinais disso aqui. Isso, por si só, é um problema? Não! Mas faz sentido.

A falta de modos offline para criar urgência nos eventos e temporadas, somada à falta de personagens, nos traz a possibilidade perfeita de comprar nosso herói favorito em breve, na próxima atualização. O jogo já tem seu primeiro pacote de conteúdo do Ano 1 revelado, com quatro novos personagens para o catálogo.
UM BAITA JOGO DE LUTA COM UM GRANDE “MAS”
O jogo traz tudo que um bom jogo de luta precisa: combates intensos, dinamismo e movimentação aberta para novatos e velha-guarda. Mas peca pelo conteúdo mais enxuto em algumas áreas e pela sensação de que parte da experiência ainda vai chegar depois.

Podemos ver um grande jogo de luta surgindo aqui, mas seria legal vê-lo na sua completude já. Apesar disso, ainda espero ansioso pelos próximos passos desse trabalho tão primoroso.
Marvel Tōkon: Fighting Souls está disponível para PlayStation 5 e PCs (steam)
Agradecemos os amigos da PlayStation Brasil que gentilmente nos enviaram uma cópia de Marvel Tōkon para a criação deste review.












