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Mouse: PI for Hire traz estilo que impressiona mas ritmo que cansa

Mouse PI for hire - Review de Jogos
A direção de arte é inegavelmente brilhante, mas o charme dos anos 30 consegue sustentar mais de dez horas de jogo?
Disponível para:
Playstation 5, Xbox Series S/X, PC
Review escrito por:
Danilo Manzato

Desde os primeiros trailers que circularam pelo Twitter, Mouse: PI for Hire já deixava claro que era algo diferente do que estamos acostumados a ver. A estética inspirada nos desenhos animados dos anos 20 e 30, tudo em preto e branco, cheio de personalidade causava exatamente o mesmo efeito que o primeiro contato com Cuphead: aquela sensação de estar diante de algo genuinamente único.

Com uma diferença importante, aqui estamos falando de um jogo de tiro em primeira pessoa. E essa combinação, no papel, é das mais estilosas dos últimos anos.

Mouse PI for Hire

Você assume o controle de Jack Pepper, um detetive particular encarregado de investigar o sumiço de um famoso mágico e sua assistente. O que parece ser um caso simples vai se desdobrando em algo bem mais sombrio: Mouse: PI for Hire não tem medo de tocar em temas pesados como segregação racial, assassinatos em massa e um misterioso partido político que cresce nas sombras da cidade.

É uma narrativa que surpreende. A estética leve e caricata contrasta diretamente com o peso dos temas abordados e esse choque de tons é um dos pontos mais interessantes da obra.

Mouse: PI for Hire — Estilo que impressiona, ritmo que cansa

Jack Pepper ainda ganha muita vida graças à voz de Troy Baker, um dos atores mais conceituados do mundo dos games, que entrega uma performance à altura em um jogo de primeira pessoa, onde mal vemos o rosto do protagonista. Um trabalho vocal que faz diferença de verdade.

Como é jogar Mouse PI for Hire

No campo da jogabilidade, Mouse: PI for Hire entrega um FPS acessível e bem variado em termos de arsenal. Conforme avançamos na história, desbloqueamos armas de diferentes categorias, trazendo tiros leves, shotguns, metralhadoras, bazucas, armas com poderes especiais como congelamento e até opções para combate corpo a corpo. Cada uma tem sua identidade visual própria, todas muito bem animadas e fiéis à proposta estética do jogo.

O sistema de upgrades adiciona uma camada interessante: itens coletados pelas fases podem ser trocados por melhorias que aumentam a capacidade de fogo e desbloqueiam um segundo modo de disparo ainda mais poderoso. É uma progressão que funciona e dá aquela sensação gostosa de crescimento ao longo da campanha.

A estrutura da campanha é dividida em fases que representam diferentes pontos da cidade. A cada nova pista, Jack pega seu carro e parte para a próxima área. A ideia é bacana, mas os cenários não são grandes e, ao longo das horas, a fórmula começa a mostrar seus limites.

Mouse: PI for Hire — Estilo que impressiona, ritmo que cansa

E aqui chegamos no ponto mais delicado. Mouse: PI for Hire leva entre 12 e 14 horas para ser finalizado e essa duração pesa. As primeiras horas são aquela experiência incrível de algo diferente, único, cheio de estilo. Mas lá pela marca das 8, 9 horas, o jogo começa a cansar. As fases são repetitivas, e a sensação é de que o ritmo poderia ter sido mais enxuto.

O que incomoda mais, no entanto, é a oportunidade desperdiçada: trata-se de um jogo de detetive, mas que no fim das contas resume sua gameplay a andar e atirar. Não há puzzles investigativos, mecânicas de dedução, pistas para montar, nada que explore a premissa de detetive além da narrativa. Mouse: PI for Hire tinha tudo para ser mais do que um FPS estilizado e escolheu não ser.

Mouse: PI for Hire — Estilo que impressiona, ritmo que cansa

Por outro lado, seria injusto não reconhecer o quanto o jogo acerta quando o assunto é apresentação.

A direção de arte é simplesmente impecável: cada frame, cada animação, cada inimigo parece saído diretamente de um estúdio de animação dos anos 30. A trilha sonora acompanha à altura, reforçando o clima noir e cheio de referências da aventura.

Ao longo das fases, o jogo também semeia diversas referências à filmes clássicos e outros games, que funcionam como uma camada extra de charme para quem está atento.

Mouse PI for Hire vale a pena?


Mouse: PI for Hire é um jogo difícil de não gostar nas primeiras horas e seu estilo transborda em cada pixel.

Mouse: PI for Hire — Estilo que impressiona, ritmo que cansa

Mas quando o encanto inicial passa, o que sobra é um FPS repetitivo que não aproveita todo o potencial da sua proposta. Vale muito a pena conhecer, mas talvez não valha todo o fôlego que pede.

Sem spoilers para Mouse PI for Hire.

Mouse: PI for Hire traz estilo que impressiona mas ritmo que cansa

Disponível para:
Playstation 5, Xbox Series S/X, PC
Versão que jogamos:
PC
O jogo não possui tradução para o Português.

Pontos Positivos

  • Direção de arte impecável e totalmente original
  • Trilha sonora que complementa a ambientação com perfeição
  • Troy Baker dando vida incrível a Jack Pepper
  • Arsenal variado e visualmente estilizado

Pontos Negativos

  • Gameplay repetitivo nas últimas horas
  • Duração excessiva para o que o jogo oferece
  • Potencial da premissa de detetive desperdiçado
Review escrito por:
Danilo Manzato

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