Desde os primeiros trailers que circularam pelo Twitter, Mouse: PI for Hire já deixava claro que era algo diferente do que estamos acostumados a ver. A estética inspirada nos desenhos animados dos anos 20 e 30, tudo em preto e branco, cheio de personalidade causava exatamente o mesmo efeito que o primeiro contato com Cuphead: aquela sensação de estar diante de algo genuinamente único.
Com uma diferença importante, aqui estamos falando de um jogo de tiro em primeira pessoa. E essa combinação, no papel, é das mais estilosas dos últimos anos.

Você assume o controle de Jack Pepper, um detetive particular encarregado de investigar o sumiço de um famoso mágico e sua assistente. O que parece ser um caso simples vai se desdobrando em algo bem mais sombrio: Mouse: PI for Hire não tem medo de tocar em temas pesados como segregação racial, assassinatos em massa e um misterioso partido político que cresce nas sombras da cidade.
É uma narrativa que surpreende. A estética leve e caricata contrasta diretamente com o peso dos temas abordados e esse choque de tons é um dos pontos mais interessantes da obra.

Jack Pepper ainda ganha muita vida graças à voz de Troy Baker, um dos atores mais conceituados do mundo dos games, que entrega uma performance à altura em um jogo de primeira pessoa, onde mal vemos o rosto do protagonista. Um trabalho vocal que faz diferença de verdade.
Como é jogar Mouse PI for Hire
No campo da jogabilidade, Mouse: PI for Hire entrega um FPS acessível e bem variado em termos de arsenal. Conforme avançamos na história, desbloqueamos armas de diferentes categorias, trazendo tiros leves, shotguns, metralhadoras, bazucas, armas com poderes especiais como congelamento e até opções para combate corpo a corpo. Cada uma tem sua identidade visual própria, todas muito bem animadas e fiéis à proposta estética do jogo.
O sistema de upgrades adiciona uma camada interessante: itens coletados pelas fases podem ser trocados por melhorias que aumentam a capacidade de fogo e desbloqueiam um segundo modo de disparo ainda mais poderoso. É uma progressão que funciona e dá aquela sensação gostosa de crescimento ao longo da campanha.
A estrutura da campanha é dividida em fases que representam diferentes pontos da cidade. A cada nova pista, Jack pega seu carro e parte para a próxima área. A ideia é bacana, mas os cenários não são grandes e, ao longo das horas, a fórmula começa a mostrar seus limites.

E aqui chegamos no ponto mais delicado. Mouse: PI for Hire leva entre 12 e 14 horas para ser finalizado e essa duração pesa. As primeiras horas são aquela experiência incrível de algo diferente, único, cheio de estilo. Mas lá pela marca das 8, 9 horas, o jogo começa a cansar. As fases são repetitivas, e a sensação é de que o ritmo poderia ter sido mais enxuto.
O que incomoda mais, no entanto, é a oportunidade desperdiçada: trata-se de um jogo de detetive, mas que no fim das contas resume sua gameplay a andar e atirar. Não há puzzles investigativos, mecânicas de dedução, pistas para montar, nada que explore a premissa de detetive além da narrativa. Mouse: PI for Hire tinha tudo para ser mais do que um FPS estilizado e escolheu não ser.

Por outro lado, seria injusto não reconhecer o quanto o jogo acerta quando o assunto é apresentação.
A direção de arte é simplesmente impecável: cada frame, cada animação, cada inimigo parece saído diretamente de um estúdio de animação dos anos 30. A trilha sonora acompanha à altura, reforçando o clima noir e cheio de referências da aventura.
Ao longo das fases, o jogo também semeia diversas referências à filmes clássicos e outros games, que funcionam como uma camada extra de charme para quem está atento.
Mouse PI for Hire vale a pena?
Mouse: PI for Hire é um jogo difícil de não gostar nas primeiras horas e seu estilo transborda em cada pixel.

Mas quando o encanto inicial passa, o que sobra é um FPS repetitivo que não aproveita todo o potencial da sua proposta. Vale muito a pena conhecer, mas talvez não valha todo o fôlego que pede.













